Os favoritos de setembro reúne histórias que dificilmente estariam lado a lado se o único critério fosse gênero, ritmo ou até aquilo que normalmente procuro quando escolho alguma coisa para assistir. Neste mês, passei por mistérios que me fizeram prestar atenção em cada detalhe, histórias reais difíceis de acreditar, romances, dramas mais contemplativos e produções feitas simplesmente para divertir. E gostei justamente dessa mistura.
Olhando agora para tudo o que assisti, percebo também como é difícil prever o que vai acabar ficando comigo. Teve produção em que entrei com um pé atrás e fui completamente surpreendido, outras que já partiram de fórmulas que adoro e algumas que me conquistaram muito mais pela maneira de contar uma história do que propriamente pela história que estavam contando.
É por isso que gosto de fazer os Favoritos do Mês. Eles acabam funcionando como um registro muito pessoal daquilo que realmente valeu a minha experiência diante da tela. Não é um ranking e também não significa que todos esses filmes e séries funcionaram da mesma maneira para mim. São simplesmente aqueles que, quando setembro terminou, eu sabia que queria guardar por aqui.
Se você está procurando o que assistir, talvez essa variedade também seja a melhor parte da seleção. Entre séries, minisséries, filmes e uma dica extra que me surpreendeu bastante, estas são as recomendações de streaming que mais gostei em setembro — e os motivos são tão diferentes quanto as próprias histórias.
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As séries e minisséries dos streamings que ficaram comigo em setembro
Entre as séries favoritas de setembro, percebi uma presença forte do mistério, mas usado de maneiras bem diferentes. Teve investigação clássica, true crime, drama jurídico e histórias em que descobrir o que aconteceu era apenas uma parte do que me mantinha assistindo. Em comum, foram produções que encontraram algum elemento capaz de me prender — fosse um personagem, a maneira de contar a história ou simplesmente aquela vontade de assistir ao próximo episódio.
1. Habeas Corpus | Netflix
Habeas Corpus é uma minissérie brasileira protagonizada por Marjorie Estiano e Any Gabrielly que parte do universo jurídico para acompanhar personagens envolvidos em um caso capaz de colocar em discussão não apenas a investigação, mas também o próprio funcionamento da Justiça. Quando apareceu entre os lançamentos da semana, já havia chamado minha atenção justamente por esse recorte — e eu havia comentado sobre ela no Guia da Semana.

Talvez por ser advogado, algumas coisas inevitavelmente me chamaram mais atenção. Gostei principalmente de como a série usa uma história acessível para entrar em questões jurídicas sem transformar tudo em uma aula. Existe um caso para acompanhar, mas também há espaço para pensar sobre Justiça, desigualdade e sobre quem efetivamente consegue acessar os instrumentos que o Direito oferece.
Foi uma surpresa muito boa. A minissérie consegue ser envolvente sem abandonar essas discussões e mostra que uma produção brasileira pode usar o universo jurídico para falar de algo muito maior do que simplesmente descobrir quem está certo ou errado em um processo. Terminei querendo ver mais histórias brasileiras dispostas a ocupar esse espaço. E por isso a produção nacional está entre os favoritos de setembro, assim como a atuação estonteante de Marjorie Estiano. Ninguém foi melhor que ela!
2. Monstro: A História de Lizzie Borden | Netflix
Entre os favoritos de setembro, a nova temporada de Monstro revisita o caso de Lizzie Borden, acusada dos assassinatos do pai e da madrasta no fim do século XIX. Em vez de tratar a história apenas como reconstituição criminal, a série volta ao imaginário criado ao redor do caso e à maneira como Lizzie atravessou gerações como uma figura associada ao crime mesmo depois de ter sido absolvida. Antes de assistir, eu já havia destacado a temporada entre as estreias no streaming de setembro.

E aqui aconteceu algo curioso: Aileen Wuornos acabou sendo uma das coisas que mais me chamaram atenção. Gostei da forma como a temporada aproxima histórias de mulheres transformadas em monstros pelo imaginário popular e usa essa presença para ampliar a discussão para além de simplesmente recontar um crime famoso.
A série também me fez pensar sobre até onde uma produção baseada em um caso real pode preencher os espaços que a história deixou vazios. Nem todas as escolhas me convenceram da mesma maneira, principalmente quando a dramatização começa a ocupar terrenos difíceis de comprovar. Ainda assim, foi justamente esse desconforto que manteve a série comigo depois do fim. Não fiquei apenas pensando em quem Lizzie Borden foi, mas também em quem decidimos que ela deveria ser.
3. Morte e Mistério na Amazônia | HBO Max
Morte e Mistério na Amazônia parte de um crime real ocorrido na região amazônica para reconstruir o caso por meio de investigação, depoimentos e diferentes versões sobre o que aconteceu. O documentário trabalha com a dificuldade de encontrar respostas definitivas quando interesses, relações de poder e versões conflitantes começam a ocupar o mesmo espaço.

Foi uma daquelas histórias reais que me prenderam justamente porque, quanto mais eu descobria, mais difícil parecia encontrar uma explicação simples. Existe o mistério do caso, claro, mas o que mais me interessou foi perceber tudo o que existe ao redor dele e como cada nova informação muda um pouco a maneira como enxergamos o que aconteceu.
Gosto muito quando um documentário de true crime não depende apenas de uma grande revelação no final para justificar as horas que passamos acompanhando a investigação. Aqui, o interesse está também no caminho, nas dúvidas e na sensação de que algumas histórias reais são muito mais confusas do que qualquer roteiro teria coragem de inventar. Foi uma das produções que mais me prenderam no mês, e por isso está entre os favoritos de setembro.
4. As Amigas do Clube | Netflix
As Amigas do Clube acompanha um grupo de mulheres cuja amizade construída ao longo dos anos começa a ser atravessada por segredos, conflitos e acontecimentos que mudam a maneira como elas enxergam umas às outras. A série parte dessa relação entre as protagonistas para construir um drama em que o vínculo do grupo importa tanto quanto aquilo que vai sendo revelado ao longo dos episódios.

Foi essa dinâmica entre elas que mais me pegou e fez ter seu lugar entre os favoritos de setembro. A série consegue fazer com que eu quisesse acompanhar aquelas mulheres não apenas para descobrir o que vai acontecer, mas porque existe uma química muito boa entre as personagens. É daquelas histórias em que amizade, conflitos e personalidades diferentes acabam sustentando boa parte do interesse.
E funcionou muito bem como entretenimento. Os episódios passaram rápido, eu queria continuar acompanhando e cheguei ao final realmente envolvido com aquelas personagens. Às vezes é exatamente isso que quero de uma série: entrar naquele grupo por algumas horas e sentir que ainda passaria mais tempo com ele.
5. O Problema Final | Netflix
O Problema Final acompanha um escritor de romances policiais que acaba envolvido em um mistério digno das histórias que costuma criar. A minissérie espanhola trabalha com referências claras ao universo de Sherlock Holmes e transforma a investigação em um jogo de pistas, suspeitos e possíveis respostas, daqueles em que o espectador naturalmente começa a montar suas próprias teorias.

E aqui existe uma vantagem enorme comigo: eu amo Sherlock Holmes. É quase impossível uma história assumir essa estrutura de investigação sem despertar minha curiosidade. Mas também comecei a me perguntar se esse universo já não foi explorado de praticamente todas as maneiras possíveis. Tivemos versões modernas, adaptações mais tradicionais e inúmeras histórias que usam Holmes como referência sem necessariamente colocar o personagem em cena.
Ainda assim, O Problema Final encontrou espaço para me divertir. Gostei do protagonista, da dinâmica da investigação e principalmente de poder jogar junto, tentando descobrir a resposta antes da revelação. Essa relação com o mistério me fez lembrar de Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025), outro filme em que gostei de acompanhar as pistas e tentar chegar à solução antes dos personagens – e sobre o qual escrevi na minha crítica de Vivo ou Morto. No fim, talvez minha questão nem seja se Sherlock Holmes está saturado. Se ainda conseguem me fazer querer resolver o caso, continuo entrando na brincadeira. Impossível ficar fora dos meus favoritos de setembro.
Os filmes dos streamings que ficaram comigo em setembro
Entre os filmes favoritos de setembro, talvez esteja a parte mais variada desta seleção. Passei por uma comédia de ação que sabe exatamente como usar seus protagonistas, um filme político que me deixou genuinamente incomodado, uma comédia romântica que abraça sua fórmula, um romance delicado conduzido também pela música e um drama que exige paciência para observar aquilo que seus personagens não conseguem dizer. Cinco experiências muito diferentes — e cinco motivos igualmente diferentes para estarem aqui
1. O Aniversário | Prime Video
O Aniversário, dirigido por Jan Komasa, começa dentro de uma família aparentemente estável. Ellen e Paul estão celebrando 25 anos de casamento quando a chegada da nova namorada de um dos filhos começa a alterar aquela dinâmica. O que inicialmente parece um conflito familiar vai ganhando dimensões muito maiores à medida que determinadas ideias começam a atravessar não apenas aquela casa, mas a própria sociedade.

Para mim, é uma história sobre o perigo de aceitar o silêncio em troca da paz. O filme fala de desinformação, radicalização e da facilidade com que determinadas ideias encontram espaço quando as pessoas ao redor preferem não confrontá-las. E gostei de como isso acontece primeiro dentro de uma família, tornando uma discussão enorme bastante íntima.
É um filme que me incomodou e continuou comigo justamente pelas questões que levanta. Aqui não quero avançar muito mais porque escrevi um pouco mais sobre como essa ruptura acontece e o que ela representa na minha crítica de O Aniversário. Entre os favoritos de setembro, foi uma das histórias que mais me deram vontade de continuar pensando depois do fim.
2. Refúgio de Inverno | Prime Video
Dirigido por Polly Findlay, Refúgio de Inverno acompanha Stella (Lesley Manville) e Gerry (Ciarán Hinds), um casal de longa data que viaja para Amsterdã carregando muito mais na bagagem do que aquilo que vemos. O que poderia ser apenas uma viagem a dois vai revelando memórias, ressentimentos, diferenças e questões relacionadas à fé e ao próprio casamento. É um drama muito mais interessado em observar essas duas pessoas do que em produzir grandes acontecimentos.

E talvez seja por isso que ele exige um pouco mais do espectador. É um filme lento, mas não vazio. Há muita coisa acontecendo nos silêncios, nos olhares e na dificuldade que aquelas duas pessoas têm de colocar em palavras aquilo que carregam há tanto tempo. Lesley Manville e Ciarán Hinds fazem com que esse ritmo funcione porque conseguimos perceber mudanças mesmo quando aparentemente quase nada está acontecendo.
Foi um daqueles filmes em que a experiência continuou crescendo para mim depois que terminou. Gostei da maneira como ele olha para um relacionamento construído durante décadas sem procurar respostas simples para tudo aquilo que existe entre duas pessoas. E essa é só a superfície do que encontrei nele: na minha crítica de Refúgio de Inverno, aprofundo por que esse drama lento mereceu minha atenção e conquistou seu lugar entre os favoritos de setembro.
3. Mayday | Apple TV
Mayday coloca Ryan Reynolds como Troy Kelly, um piloto da Marinha dos Estados Unidos enviado em uma missão secreta em território soviético durante a Guerra Fria. Quando tudo dá errado, ele acaba dependendo justamente de Nikolai Ustinov, um ex-agente da KGB vivido por Kenneth Branagh. O filme é dirigido por John Francis Daley e Jonathan Goldstein, dupla que também assina o roteiro e trabalha essa situação como uma mistura de espionagem, ação e comédia.

E aqui essa fórmula conhecida funciona muito bem: a dinâmica entre Ryan Reynolds e Kenneth Branagh. Reynolds está naquele papel que conhecemos muito bem, enquanto Branagh oferece um contraponto ótimo. É a relação entre os dois que faz a história andar e transforma situações que poderiam ser apenas cenas de ação em algo muito mais divertido.
Foi um dos favoritos de setembro que me entregou exatamente aquilo que eu esperava dele. Tem ação, humor e uma dupla que funciona junta, sem a necessidade de transformar a experiência em algo maior do que ela pretende ser. Às vezes quero só isso: sentar, me divertir e perceber que o filme entendeu perfeitamente a própria proposta.
4. A Hipótese do Amor | Prime Video
Baseado no livro de Ali Hazelwood, A Hipótese do Amor acompanha Olive, uma doutoranda vivida por Lili Reinhart que, depois de beijar impulsivamente Adam Carlsen (Tom Bateman), acaba entrando com ele em um relacionamento falso. A partir daí, o filme dirigido por Claire Scanlon assume uma fórmula muito conhecida da comédia romântica e coloca seus protagonistas dentro do ambiente acadêmico que caracteriza a história original.

E talvez uma das coisas que mais tenham funcionado comigo foi o fato de o filme não ter vergonha de ser uma comédia romântica. Existe o namoro falso, existem situações que sabemos para onde vão caminhar e existe aquela dinâmica em que boa parte da diversão está menos em descobrir se o casal ficará junto e mais em acompanhar como isso vai acontecer.
Foi leve, divertido e funcionou muito bem para mim. Nem sempre preciso que uma comédia romântica reinvente o gênero; às vezes quero química, personagens pelos quais consiga torcer e uma história que entenda por que essas fórmulas continuam funcionando. A Hipótese do Amor me entregou isso.
5. A História do Som | Prime Video
É verdade que A História do Som chegou ao Prime Video nos últimos dias de agosto, mas minha experiência com o filme pertence a setembro – e é por isso que ele está nesta seleção. Dirigido por Oliver Hermanus, o drama acompanha Lionel (Paul Mescal) e David (Josh O’Connor), dois jovens que se aproximam pela música folk e partem por Maine registrando canções e vozes que poderiam desaparecer com o tempo. Música, memória e a relação construída entre os dois acabam se tornando partes inseparáveis da história.

Que filme delicado! Não é uma história interessada em correr para grandes acontecimentos, e a música não aparece simplesmente como trilha para o romance. Ela é parte da maneira como aquelas pessoas se encontram, guardam lembranças e conseguem preservar algo que inevitavelmente será transformado pelo tempo.
E Josh O’Connor continua sendo um ator que me chama muito a atenção. Aqui ele está em um registro completamente diferente daquele que encontrei recentemente em The Mastermind, mas existe novamente uma presença muito particular na forma como constrói o personagem e que também me marcou naquele filme e sobre a qual falei na minha crítica de The Mastermind. Em A História do Som, a parceria com Paul Mescal ajuda a construir um filme bonito, melancólico e foi um dos favoritos de setembro que ficou comigo muito mais pelo que faz sentir do que pelo que precisa explicar.
Dica Extra: O Rei da Internet | Globoplay/Telecine
O Rei da Internet acompanha a trajetória de Daniel Nascimento, jovem hacker brasileiro que ganhou notoriedade ainda muito novo e acabou envolvido em crimes virtuais, invasões e golpes que o colocaram no centro de uma história tão absurda quanto real. O filme transforma essa ascensão e queda em uma narrativa acelerada, acompanhando um personagem que parece avançar cada vez mais justamente porque ninguém consegue freá-lo.
E eu gostei muito da forma como o filme encontrou para contar essa história. João Guilherme, que eu não conhecia até então, está excelente e consegue construir um personagem que provoca sentimentos contraditórios. Existe carisma ali, mas existe também arrogância, irresponsabilidade e uma sucessão de escolhas que tornam difícil simplesmente torcer por ele. Essa ambiguidade fez diferença para mim.

O que mais me chamou atenção, porém, foi pensar que estamos diante de uma história brasileira. Existe algo muito particular naquele universo, na maneira como o personagem se movimenta e até no absurdo de determinadas situações. O filme tem ritmo, diverte e consegue transformar uma trajetória real em uma experiência cinematográfica sem depender apenas da curiosidade de saber que aquilo aconteceu.
Por isso ele entra como minha Dica Extra de setembro. Não necessariamente porque esteja escondido no catálogo, mas porque foi uma surpresa que eu não queria deixar de registrar entre os meus favoritos. O Rei da Internet é daqueles filmes nacionais que me fazem terminar a sessão pensando que existem muitas histórias brasileiras esperando para serem contadas – e que vale a pena quando nosso cinema decide contá-las com personalidade.
Favoritos de Setembro | O que ficou comigo depois dos créditos?
Quando olho para os meus favoritos de setembro, talvez o que mais goste seja perceber que não existe uma fórmula para uma história conquistar espaço aqui. No mesmo mês, me diverti tentando solucionar mistérios, fiquei incomodado com um drama político, encontrei conforto em uma comédia romântica, mergulhei em histórias reais e fui conquistado por filmes que pediam apenas um pouco mais de tempo e atenção.
Também foi um mês em que a maneira de contar importou muito. Algumas dessas histórias partem de fórmulas que conheço bem; outras tratam de assuntos que já vimos muitas vezes no cinema e na televisão. O que fez diferença foi encontrar nelas alguma coisa capaz de renovar meu interesse: uma atuação, uma relação entre personagens, uma escolha narrativa, uma discussão ou simplesmente aquela vontade de continuar assistindo.
É isso que quero guardar quando voltar aos Favoritos do Mês daqui a algum tempo. Mais do que lembrar o que estreou em setembro, quero lembrar do que gostei de assistir em setembro. No fim, é esse filtro pessoal que transforma uma lista de títulos em uma curadoria.
E agora quero saber dos seus: qual filme ou série ficou entre os seus favoritos de setembro?









