Favoritos do Mês | O que eu mais gostei de assistir em agosto
Entre séries que viraram conforto, velhas fórmulas que ainda me divertem e filmes que gostei mesmo reconhecendo seus tropeços, estes são os títulos que ficaram comigo em agosto.

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Favoritos de agosto é o nome que dou às histórias de que mais gostei no mês, mas esta edição talvez represente especialmente bem o que significa chamar alguma coisa de favorita. Não é escolher aquilo que considero perfeito, muito menos tentar determinar quais foram os melhores filmes e séries lançados nos streamings. É voltar para tudo o que assisti e perceber o que ainda ficou comigo.

E agosto me fez pensar bastante sobre isso. Às vezes gostamos de uma história mesmo enxergando claramente seus defeitos. Podemos questionar uma escolha, achar que determinada parte poderia funcionar melhor e ainda assim terminar a sessão satisfeitos. Porque assistir também é se envolver, se divertir, sentir medo, ficar indignado, encontrar conforto ou simplesmente querer permanecer um pouco mais naquele universo.

Talvez essa seja a ideia que melhor atravesse esta edição: uma obra não precisa ser perfeita para se tornar uma das nossas favoritas. E gosto particularmente disso porque transforma a curadoria em algo muito mais pessoal. O que funciona comigo pode não funcionar com você — e é justamente aí que começa uma conversa muito mais interessante do que tentar estabelecer um ranking definitivo.

Então, se você está procurando o que assistir em meio a tantos catálogos, estes são os filmes, séries, minisséries e documentários que eu escolheria guardar de agosto. Cada um chegou até aqui por um motivo diferente. E prefiro contar esses motivos conforme avançamos pela lista.

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As séries e minisséries que ficaram comigo em agosto

Entre as séries favoritas de agosto, há investigações, fantasia, aventura, dramas familiares e um thriller com tantas camadas que foi bastante difícil de digerir. Não existe um gênero dominante, e talvez nem precise existir. O que importa nos Favoritos do Mês é o que aconteceu depois que comecei a assistir: algumas me deram conforto, outras recuperaram minha atenção e houve aquelas que simplesmente fizeram seus episódios passarem rápido demais. São cinco escolhas bem diferentes para quem procura o que assistir nos streamings.

1. Sugar | T2 | Apple TV

Sugar acompanha John Sugar, investigador particular interpretado por Colin Farrell, em casos que o colocam em contato com pessoas, segredos e comportamentos muito mais complexos do que uma investigação convencional costuma sugerir. A série preserva sua forte relação com o cinema clássico e aquela combinação particular entre investigação, drama e elementos menos realistas que ajudou a definir sua identidade desde a primeira temporada.

John Sugar em Sugar T2, uma das séries favoritas de agosto
Colin Farrell como John Sugar em cena da segunda temporada de Sugar. Crédito: Apple TV.

E por mais estranho que pareça chamar uma série investigativa de “série conforto”, foi exatamente assim que Sugar funcionou para mim novamente. Existe alguma coisa na tranquilidade e no equilíbrio com que Colin Farrell constrói o personagem que me faz querer permanecer ali. Sugar conversa, observa e tenta compreender as pessoas, e seus diálogos frequentemente acabam entrando em questões mais profundas e filosóficas sobre o comportamento humano sem parecer que a série interrompeu a investigação para dar uma lição.

Também continuo gostando muito do fato de ele ser um cinéfilo. Não é apenas uma característica colocada no personagem para torná-lo diferente: o cinema faz parte da maneira como ele observa e interpreta o mundo. E acho particularmente interessante como isso convive com as camadas menos realistas da história sem fazer a série perder aquilo que mais me conecta a ela. Entre os meus favoritos de agosto, Sugar ocupa esse lugar muito particular: uma investigação que, de algum jeito, também virou um lugar confortável para voltar.

2. Fúria | Disney+

Fúria acompanha Alice Black (Emmy Rossum), uma ex-detetive de homicídios que tenta recomeçar a carreira no FBI e logo se vê investigando uma sequência de mortes suspeitas. A caçada a Catherine (Lola Petticrew) foge um pouco da estrutura tradicional do gênero porque sabemos desde cedo quem ela é; a questão passa a ser entender suas motivações e acompanhar como as histórias dessas duas mulheres se aproximam enquanto a série coloca justiça e vingança em conflito.

Alice Black e Nora conversam em Fúria, thriller investigativo entre os favoritos de agosto
Alice Black e Nora em Fúria, série que acompanha uma investigação do FBI enquanto coloca justiça, vingança e os traumas de suas personagens em conflito. Crédito: Disney+/Hulu.

É um thriller com muitas camadas e, em alguns momentos, difícil de digerir. A investigação abre espaço para temas sensíveis como abuso, saúde mental, racismo e discriminação de gênero sem deixar o suspense de lado. Emmy Rossum está incrível, enquanto Nora traz um alívio cômico muito particular em meio ao peso da história. Já Marshall, vivido por Jake Lacy, consegue ser repetidamente intragável — e foi impossível não lembrar de outro personagem dele que me fez passar raiva recentemente em All Her Fault, sobre o qual falei na minha crítica da série.

Mas é Catherine quem deixa a discussão mais desconfortável: vilã e vítima ocupam espaços muito próximos em uma personagem intensa e que chega a dar medo. Fúria funciona muito bem como série investigativa, mas gostei principalmente porque existe muito mais acontecendo ali do que uma simples caça ao vilão. É uma daquelas histórias que terminam deixando discussões maiores do que o próprio mistério — e vale muito a pena.

3. Sterling Point | Prime Video

Sterling Point acompanha Annie, uma jovem de 17 anos criada em Nova York que descobre ter herdado do avô materno uma cabana em uma ilha isolada no Lago Muskoka, no Canadá. Junto à herança existe um bilhete misterioso com apenas duas palavras: “Encontre-a”. Sem saber exatamente o que aquilo significa, Annie viaja escondida até a propriedade procurando respostas sobre o passado de sua falecida mãe e encontra a cabana ocupada por Ramona, uma garota local de personalidade forte com quem é obrigada a conviver.

Annie e Ramona em Sterling Point, uma das séries favoritas de agosto
Annie e Ramona em Sterling Point, série marcada pela amizade, pelos segredos familiares e pelo verão no Lago Muskoka. Crédito: Prime Video.

É a partir desse encontro que a série mistura segredos familiares, amizades, romances de verão e a investigação sobre aquilo que conecta o passado das duas jovens. E foi justamente essa combinação que funcionou comigo. Em alguns momentos, Sterling Point me lembrou Hal & Harper pela forma de contar a história e trabalhar seus dramas familiares; em outros, senti bastante da vibe de Outer Banks naquele universo de ilhas, barcos, juventude e amizades.

Mas a comparação ajuda apenas a explicar a sensação. A dinâmica entre as duas atrizes é o que realmente sustenta a série para mim. Os episódios passam rápido e existe uma química que faz a convivência entre Annie e Ramona ser tão interessante quanto os segredos que elas tentam compreender. Foi uma daquelas recomendações de streaming que comecei pela premissa e continuei principalmente pelas personagens.

4. A Casa do Dragão | T3 | HBO Max

A terceira temporada de A Casa do Dragão continua a disputa pelo poder dentro da Casa Targaryen e as consequências de uma família dividida em lados que já ultrapassaram há muito o limite de uma simples rivalidade pelo Trono de Ferro. Dragões, alianças políticas, relações familiares e decisões capazes de alterar o equilíbrio de Westeros continuam movimentando uma história que exige acompanhar não apenas quem está de cada lado, mas o que cada personagem está disposto a fazer por ele.

Daemon e Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão entre as séries favoritas de agosto
Daemon e Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão. Crédito: HBO.

Depois de ter uma relação menos entusiasmada com a temporada anterior, senti uma diferença enorme aqui. A saga continuou, mas desta vez entregou episódios que me envolveram muito mais e, para mim, elevaram bastante a qualidade da série em relação ao segundo ano. Não foi apenas uma questão de escala: voltei a sentir vontade de acompanhar aquele conflito e esperar pelo episódio seguinte.

Talvez tenha sido a temporada de A Casa do Dragão que mais conseguiu prender minha atenção até agora. E, em uma produção desse tamanho, recuperar essa expectativa semanal fez toda a diferença para colocá-la entre minhas séries favoritas de agosto.

5. Outer Banks | T5 | Netflix

Os Pogues estão de volta para mais uma aventura em que amizade, romance, perigos e a busca por respostas voltam a se misturar. A quinta temporada preserva o universo que a série construiu desde o início: um grupo de amigos inseparáveis, lugares paradisíacos, problemas cada vez maiores e aquela capacidade quase inacreditável de transformar qualquer descoberta em uma nova confusão.

Os Pogues reunidos em Outer Banks T5, uma das séries entre os favoritos de agosto
Os Pogues voltam a enfrentar juntos as consequências de mais uma aventura na quinta temporada de Outer Banks. Crédito: Netflix.

E como não amar os Pogues e suas aventuras? A fórmula se repetiu mais uma vez? Sim. E eu provavelmente assistiria a mais dez temporadas repetindo parte dela. Porque chegou um ponto em que, para mim, Outer Banks não depende apenas do que seus personagens estão procurando ou do tamanho da próxima aventura. O que vale é a vibe.

É aquela sensação de verão, amizade, barcos, liberdade e histórias absurdas que parecem exatamente o tipo de coisa que alguém contaria anos depois sobre uma época da vida em que tudo parecia possível. Nem sempre quero que uma série de que gosto abandone aquilo que me fez gostar dela apenas para provar que consegue se reinventar. Outer Banks sabe muito bem qual é sua proposta. E eu continuo querendo embarcar nela.

Os filmes e documentários que ficaram comigo em agosto

Nos filmes, agosto teve uma característica que combina muito com a ideia destes Favoritos: eu me diverti bastante sem precisar ignorar aquilo que não funcionou para mim. Teve filme que demorou para engrenar, terror que me deixou com perguntas, thriller que quase conseguiu esconder todas as suas cartas e até um pós-apocalipse cheio de conveniências que me fez querer uma continuação. Entre os filmes favoritos de agosto, estão cinco experiências muito diferentes — e nenhuma precisa ser perfeita para explicar por que gostei dela.

1. Hokum: O Pesadelo da Bruxa | HBO Max

Em Hokum: O Pesadelo da Bruxa, Adam Scott interpreta um escritor que viaja para um lugar marcado por histórias sombrias e pela presença de uma figura ligada ao folclore local. O que começa como uma aproximação a esse universo vai progressivamente colocando em dúvida aquilo que é lenda, aquilo que pode estar acontecendo de verdade e até quanto podemos confiar no personagem que conduz a história.

Adam Scott como Ohm Bauman em Hokum, um dos favoritos de agosto
Adam Scott como Ohm Bauman em Hokum: O Pesadelo da Bruxa. Crédito: Tailored Films.

Tem uma boa história aqui. Hokum consegue provocar medo, tem sustos que funcionam e, principalmente, gosta de colocar dúvidas na nossa cabeça. Algumas respostas e determinados desfechos podem parecer um pouco desconexos, mas isso não impediu que eu me divertisse. É um terror que passa rápido e que prefere deixar algumas inquietações em vez de organizar tudo perfeitamente antes dos créditos.

Meu problema maior está justamente em quem deveria nos conduzir por esse pesadelo. O personagem de Adam Scott consegue ser tão repugnante que, mesmo quando passamos a entender melhor seus motivos, achei difícil me importar com ele. Naturalmente, minha atenção começou a migrar para outros personagens — só que eles não recebem desenvolvimento suficiente para ocupar completamente esse espaço.

Ainda assim, Hokum funcionou comigo. Especialmente para quem gosta de terminar um terror ainda pensando sobre algumas de suas escolhas, é uma boa opção. Talvez você saia com perguntas. Eu saí também. Só que, desta vez, isso não me incomodou o suficiente para apagar o quanto gostei do caminho.

2. O Hóspede Oculto | HBO Max

O Hóspede Oculto parte de um mistério que vai sendo reconstruído por diferentes perspectivas. Em vez de entregar imediatamente uma versão definitiva dos acontecimentos, o thriller acrescenta informações conforme muda nosso ponto de observação, fazendo com que detalhes vistos anteriormente ganhem novos significados até que as peças finalmente comecem a ocupar seus lugares. Quem conhece o suspense espanhol Um Contratempo talvez reconheça alguma familiaridade nessa construção — e é melhor deixar a relação entre os dois apenas por aqui.

Robert Pattinson e Zendaya compartilham um momento de profunda intimidade e vulnerabilidade em O Drama, longa-metragem da HBO Max que figura com destaque absoluto na nossa lista de favoritos de julho. Crédito: Reprodução / Divulgação

Eu adoro esse formato meio “Sherlock Holmes” em que o filme me convida a desvendar o mistério junto com ele. Fico procurando pistas, tentando descobrir quem está escondendo alguma coisa e montando minhas próprias teorias. E já adianto: eu não acertei tudo.

Digo “tudo” porque existe uma coisa que incomoda desde as primeiras cenas. Eu percebi, você provavelmente vai perceber, todos nós percebemos. O filme sabe disso e tenta fazer com que aquela informação vá ficando para trás enquanto outras peças ocupam nossa atenção. O problema é que, quando chega o momento de recuperá-la, talvez a surpresa não seja tão grande quanto o diretor gostaria.

Mas isso não estragou a experiência para mim. Há outras peças para descobrir, e o prazer desse tipo de thriller está justamente em comparar aquilo que imaginamos com a explicação que o filme finalmente apresenta. O Hóspede Oculto me prendeu, me fez jogar junto e ainda conseguiu esconder algumas respostas de mim. Valeu a brincadeira.

3. O Homem que Sussurra | Netflix

O Homem que Sussurra constrói seu suspense a partir de um mistério que coloca seus personagens diante de acontecimentos cada vez mais inquietantes. À medida que a investigação avança, novas conexões aparecem e o filme precisa reorganizar aquilo que sabemos para conduzir todas essas peças até uma explicação final.

Michelle Monaghan, Adam Scott e Robert De Niro em O Homem que Sussurra
Michelle Monaghan, Adam Scott e Robert De Niro em O Homem que Sussurra. Crédito: Netflix.

O elenco é incrível e a história sabe prender. Foi daqueles filmes em que continuei querendo entender o que estava acontecendo e, principalmente, como aquelas diferentes pontas poderiam finalmente se encontrar. A tensão funciona muito bem durante boa parte do caminho — inclusive quando nasce menos do perigo em si e mais da maneira como determinados personagens reagem a ele.

Ou, em alguns casos, não reagem. E como isso me deu raiva.

Minha principal ressalva aparece justamente na parte final. Senti que o filme começa a se perder um pouco quando precisa conectar todas as pontas que abriu e acaba forçando algumas coisas para chegar à solução escolhida. Não é um desfecho que tenha funcionado para mim tão bem quanto o caminho até ele.

Mas também não acho que um problema no final precise apagar tudo aquilo que funcionou antes. O Homem que Sussurra soube usar a tensão, conseguiu me manter envolvido e provocou reações durante a sessão — até irritação com alguns personagens entrou nessa conta. Entre as minhas recomendações de streaming dos favoritos de agosto, é um thriller que vale assistir mesmo com essa ressalva.

4. A Última Casa | Netflix

A Última Casa nos leva para um mundo pós-apocalíptico em que sobreviver significa aprender a lidar tanto com aquilo que existe do lado de fora quanto com os recursos disponíveis dentro de um espaço que precisa funcionar como proteção. É um terreno que a ficção científica já explorou de inúmeras maneiras, e o filme não parece particularmente preocupado em fingir que está inventando o gênero novamente.

E ah, eu me diverti aqui, hein.

Personagens de A Última Casa em cena de sobrevivência entre os favoritos de agosto
Cena de sobrevivência de A Última Casa, ficção científica pós-apocalíptica selecionada entre os favoritos de agosto. Crédito: Netflix.

Tem clichê? Tem. Tem situações em que as conveniências do roteiro ficam bastante evidentes? Também. Em alguns momentos eu me peguei pensando numa mistura improvável de MacGyver com Esqueceram de Mim, tudo dentro de uma vibe que lembra Um Lugar Silencioso. Só que também fiquei pensando: quantas histórias pós-apocalípticas já passaram pelo cinema sem algum tipo de absurdo necessário para fazer aquele universo funcionar?

Então, desta vez, preferi aceitar o jogo. Não preciso exigir de toda ficção científica uma nova fórmula para o fim do mundo quando o filme consegue fazer com que eu me divirta dentro daquela que escolheu. A Última Casa conseguiu isso comigo e terminou deixando uma sensação que pesa bastante quando escolhi meus favoritos de agosto: eu assistiria a uma continuação.

5. Corrida dos Bichos | Prime Video

Corrida dos Bichos constrói sua história em torno de uma competição clandestina na qual pessoas conhecidas pelos nomes de animais entram em um jogo de sobrevivência movido por regras próprias, alianças, estratégias e muito dinheiro. Conforme a disputa avança, entender quem está jogando, quais são as regras e até em quem confiar passa a fazer parte da experiência tanto para os personagens quanto para quem está assistindo.

Rodrigo Santoro como Abu em Corrida dos Bichos, um dos favoritos de agosto
Rodrigo Santoro como Abu em Corrida dos Bichos, um dos favoritos de agosto. Crédito: Prime Video/Amazon MGM Studios.

E se o filme tem jogo, a gente joga junto. Eu curto demais essa fórmula e, quando percebo que posso tentar entender as regras, escolher em quem confiar e fazer minhas próprias apostas enquanto a história acontece, já estou dentro. Rodrigo Santoro ainda entrega uma atuação que, para mim, vai ficar marcada.

Só que minha entrada no jogo demorou um pouco. Achei o começo preocupado demais em explicar suas regras e apresentar todo mundo rapidamente, sem dar tempo suficiente para que eu realmente me apegasse aos “bichos”. O filme melhora bastante no meio, quando finalmente deixa a dinâmica funcionar, embora em alguns momentos ainda tenha a sensação de se alongar e até repetir algumas coisas mais do que deveria.

E aí veio a reta final. Achei que Corrida dos Bichos literalmente correu para a linha de chegada depois de gastar tanto tempo anteriormente, mas é preciso reconhecer: a adrenalina chegou lá em cima. Não achei uma experiência perfeita, mas joguei junto, me diverti e terminei querendo saber o que pode vir depois. Para um dos meus favoritos de agosto, isso já diz bastante sobre o que funcionou.

Dica Extra: Sinfonia de Guerra | HBO Max

Ambientado em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Sinfonia de Guerra acompanha uma pequena comunidade de Yorkshire cujo coral perdeu boa parte de seus homens para o exército. Para manter o grupo vivo, novos integrantes precisam ser recrutados e o Dr. Henry Guthrie, vivido por Ralph Fiennes, assume a função de maestro. Enquanto as convocações para a guerra começam a chegar, aquelas pessoas encontram na música uma maneira de continuar vivendo em meio ao conflito.

Ralph Fiennes como Dr. Henry Guthrie em Sinfonia de Guerra
Ralph Fiennes como Dr. Henry Guthrie em Sinfonia de Guerra. Crédito: Sony Pictures Classics.

E foi justamente isso que mais gostei no filme: é um drama de guerra diferente. Não são as explosões, os tiros ou as batalhas que interessam aqui. É a vida apesar da guerra. Enquanto existe um conflito acontecendo do lado de fora, Sinfonia de Guerra olha para quem continua vivendo, criando relações, fazendo música e tentando encontrar algum sentido quando tanta coisa ao redor parece caminhar na direção contrária.

Ralph Fiennes está, como sempre, excelente. E gostei bastante também de um elenco que, em grande parte, era desconhecido para mim, mas que consegue sustentar muito bem essa história coletiva. O filme não precisa transformar tudo em grandes acontecimentos para funcionar; são justamente as pessoas e a maneira como a arte passa a ocupar aquele cotidiano que fizeram a experiência ficar comigo.

Agora, fica o aviso: se você não gosta de filmes em que a música ocupa bastante espaço, talvez esta não seja a melhor escolha. Porque aqui ela não está apenas acompanhando a história. Você encontra cinema, música, poesia e teatro convivendo dentro do mesmo filme. E talvez seja justamente essa a melhor maneira de explicar por que Sinfonia de Guerra virou minha dica extra entre os favoritos de agosto: é literalmente a arte dentro da arte.

Favoritos de Agosto | O que ficou comigo depois dos créditos?

Quando olho para os meus favoritos de agosto, acho que esta seleção representa muito bem a forma como gosto de falar sobre filmes e séries por aqui. Nem tudo precisa ser perfeito para funcionar comigo. Posso me incomodar com uma solução, reconhecer um clichê ou achar que uma história tropeçou no caminho e, ainda assim, terminar feliz por ter assistido. No fim, gostar também é uma experiência muito pessoal.

Agosto teve um pouco de tudo: histórias que me fizeram querer desvendar o mistério junto, outras que me devolveram a uma fórmula que continuo adorando e algumas que encontraram maneiras bem diferentes de me provocar. Teve diversão, conforto, medo, tensão e até aquela vontade imediata de continuar acompanhando determinados personagens. E talvez seja justamente essa variedade que eu queira guardar quando voltar para este mês daqui a algum tempo.

Por isso, os Favoritos do Mês continuam não sendo uma lista dos melhores filmes e séries. São simplesmente os meus favoritos: aquilo de que gostei, que me envolveu e que ainda tinha alguma coisa para me fazer pensar ou sentir depois dos créditos. E agora quero saber dos seus: qual filme ou série ficou com você em agosto?

William Carrillo

Criador e autor do Tem Um Filme, onde escreve críticas, ensaios e recomendações sobre filmes e séries.