Julho já ficou para trás há algumas semanas – e, desta vez, isso acabou ajudando a escolher melhor. Quando voltei para tudo o que assisti naquele mês, percebi que alguns títulos dos quais gostei na hora já tinham perdido força, enquanto outros continuavam muito vivos na memória. Talvez esse seja até o melhor teste para decidir o que realmente merece entrar nos meus favoritos de julho.
Porque este quadro nunca foi sobre escolher os melhores lançamentos ou montar um ranking definitivo. Em meio a um catálogo que parece não ter fim, gosto mais da ideia de voltar para o que assisti e perceber quais histórias sobreviveram ao excesso de novidades. Aquelas que ainda consigo lembrar por uma atuação, uma sensação, uma cena, um som ou simplesmente pelo prazer que tive enquanto assistia.
E julho me deixou boas surpresas. Teve série que parecia apenas uma diversão para o fim de semana e virou uma maratona deliciosa; Prazer Máximo Garantido, que esconde por trás de um título curioso uma discussão muito mais interessante sobre intimidade e vida digital; e Devoradores de Estrelas, que encontrou nas conexões humanas algo mais interessante para explorar do que simplesmente naves, espaço e explicações científicas.
Também teve Undertone me fazendo procurar coisas no escuro enquanto brincava com meus ouvidos, O Drama provando que às vezes saber menos é a melhor preparação possível para um filme e A Voz de Hind Rajab deixando sons que continuaram comigo muito depois do fim.
Agora que agosto já está quase terminando, talvez eu tenha ainda mais certeza desta seleção do que teria algumas semanas atrás. Entre tantos filmes favoritos de julho, séries favoritas de julho e outras produções que passaram pela minha tela, estas foram as histórias que resistiram ao tempo – e que eu ainda escolheria quando alguém me perguntasse o que assistir.
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Entre as séries favoritas de julho, percebi uma combinação que funcionou especialmente bem para mim: histórias que sabem prender sem transformar cada episódio em uma obrigação. Teve comédia com ação para maratonar sem culpa, documentário que parte de situações aparentemente banais e chega a lugares inacreditáveis, suspense sobre intimidade digital e duas produções baseadas em crimes reais. São recomendações de streaming bem diferentes entre si, mas que ajudam a responder àquela pergunta recorrente diante de tantos catálogos: afinal, o que assistir?
1. Prazer Máximo Garantido | Apple TV

Prazer Máximo Garantido usa o suspense envolvendo um assassinato virtual para explorar algo muito mais interessante: como nossa obsessão pela intimidade digital e pela validação online pode começar a destruir a vida que existe fora das telas. Confesso que o título pode afastar os menos curiosos. Apesar de fazer sentido dentro da história, ele também provoca aquela dúvida inevitável: “o que será que eu vou assistir aqui?”. Azar de quem desistir por causa disso, porque a série é excelente.
Tatiana Maslany domina a produção com uma atuação brilhante e recupera muito daquela versatilidade que se tornou sua marca em Orphan Black. Você compra o desespero de Paula e consegue compreender suas decisões mesmo quando elas parecem precipitadas. Brandon Flynn funciona muito bem como Trevor, enquanto Murray Bartlett constrói em Dennis aquele tipo de personagem aparentemente desligado que carrega alguma coisa muito menos confortável por baixo da superfície.
Mas dois personagens que inicialmente parecem quase deslocados acabaram roubando minha atenção: Charlie Hall como Rudy e Kiarra Hamagami Goldberg como Geri, colegas de Paula na revista. Além do alívio cômico, os dois representam figuras muito reconhecíveis de qualquer ambiente corporativo — da competição e da inveja àquela estranha intimidade criada quando o trabalho ocupa tanto espaço que o colega se torna praticamente a única pessoa em quem você pode confiar.
Crítica | Prazer Máximo Garantido (2026): Quanto de nós é apenas uma versão criada para sobreviver?
A investigação ainda traz Jon Michael Hill e Dolly de Leon como os detetives Baxter e Sofia Gonzales, enquanto Jessy Hodges interpreta Mallory, a nova esposa de Karl. E talvez poucas situações sejam tão universalmente irritantes quanto aquela convivência inevitável com a atual do ex depois de um divórcio. Jake Johnson, como Karl, completa muito bem essa dinâmica ao representar o pai que, depois da separação, parece subitamente ter todas as respostas sobre a criação dos filhos, mesmo quando o peso dessa responsabilidade esteve durante anos nas costas da mãe. Há algo nessa relação que me lembrou bastante a dinâmica familiar de All Her Fault.
No fim, por trás do mistério que movimenta a trama, encontrei uma série muito mais interessada em falar sobre relações contemporâneas, exposição, desejo, trabalho e as versões de nós mesmos que construímos para sobreviver a tudo isso. Foi justamente essa última ideia que mais ficou comigo: quanto de nós é apenas uma versão criada para sobreviver? Na minha crítica completa de Prazer Máximo Garantido, aprofundo essa leitura a partir de Paula e das diferentes versões que ela precisa assumir como mãe, ex-esposa, profissional, amiga e mulher tentando reconstruir uma vida que já não corresponde àquela que imaginava ter. Porque nem sempre assumir diferentes versões de nós mesmos significa falsidade. Muitas vezes, é simplesmente sobrevivência.
Entre tantas opções de o que assistir, foi uma das produções que mais me surpreenderam no mês.
2. Parceiras no Crime | Prime Video

Que série delícia. Octavia Spencer e Hannah Waddingham estão maravilhosas e divertidíssimas em uma produção que combina ação e comédia sem transformar nenhuma das duas em peso para a outra.
Os episódios, com cerca de 50 minutos, passam rápido justamente porque a série entende a proposta e não tenta complicar aquilo que funciona pela química entre suas protagonistas.
Foi uma das surpresas mais leves entre os meus favoritos de julho. É daquelas séries que você começa sem grandes compromissos e, quando percebe, já está pensando em assistir ao próximo episódio.
Uma ótima escolha para maratonar em um fim de semana e um bom lembrete de que nem toda recomendação precisa vir acompanhada de uma história pesada para valer nosso tempo (apesar que essa história tem peso e promete continuar melhor ainda).
3. O Atentado ao Voo Pan Am 103 | Netflix

É uma ótima minissérie sobre um dos atentados aéreos mais trágicos da história, mas sua força está principalmente na escolha de contar essa história de maneira delicada e sensível, dando espaço à perspectiva das famílias das vítimas. Em vez de transformar a tragédia apenas em espetáculo ou investigação, a produção consegue preservar o peso humano daquilo que aconteceu.
Muita coisa mudou depois daquele atentado, e a minissérie consegue mostrar sua dimensão histórica sem esquecer das pessoas atingidas por ele. As atuações são marcantes, existe uma emoção genuína atravessando os episódios e a narrativa consegue prender do início ao fim sem precisar explorar a tragédia de maneira gratuita.
Entre minhas recomendações de streaming de julho, é uma das produções mais fortes para quem procura histórias baseadas em acontecimentos reais.
4. A Pior Vizinhança | Netflix

A Pior Vizinhança é uma série documental impressionante sobre alguns dos piores vizinhos que você poderia imaginar. A primeira temporada tem quatro episódios, cada um dedicado a um caso diferente, e parte de conflitos de convivência que vão escalando para situações cada vez mais difíceis de acreditar.
Talvez seja justamente a proximidade com algo tão cotidiano que torne tudo ainda mais perturbador. Estamos falando de vizinhos, desentendimentos, intolerância e da incapacidade de estabelecer qualquer diálogo antes que as situações ultrapassem limites inimagináveis.
É um formato de true crime diferente, extremamente atual e que entrou com facilidade entre as minhas séries favoritas de julho.
5. Os Assassinatos de Idaho: Pesadelo Universitário | Netflix

Aqui temos aquele formato de true crime que funciona muito bem para quem gosta do gênero. A produção reconstrói um caso difícil de acreditar e organiza as informações de maneira que, mesmo sabendo que estamos diante de uma história real, continuamos tentando compreender como tudo aquilo pôde acontecer.
O que mais funcionou para mim foi justamente a maneira como a história é contada. Sem entregar respostas cedo demais, a série permite que você acompanhe as peças surgindo aos poucos e tente construir suas próprias hipóteses durante os episódios.
É o tipo de documentário que prende pela necessidade de entender o caso e reserva suas informações mais importantes para o momento certo, sem que eu precise revelar aqui qualquer detalhe que possa prejudicar sua experiência.
Os 5 Filmes que mais ficaram comigo em julho
Nos filmes, a surpresa que atravessou os meus favoritos de julho apareceu de maneiras ainda mais diferentes. Teve ficção científica que encontrou sua força longe das explicações científicas, vingança tratada com leveza, terror construído principalmente pelo som, um filme cuja experiência melhora quanto menos sabemos e uma obra que transforma uma voz em algo impossível de esquecer.
Entre os filmes favoritos de julho, são escolhas que mostram como uma boa história nem sempre precisa seguir pelo caminho que imaginávamos quando apertamos o play.
1. Devoradores de Estrelas | Prime Video

Um filme sobre espaço nem sempre tem muito a explorar que fuja do tradicional, e Devoradores de Estrelas também passa por elementos bastante conhecidos da ficção científica. Temos uma missão praticamente impossível, a sobrevivência da humanidade em jogo, cálculos, teorias e uma quantidade de explicações científicas que, confesso, em alguns momentos me cansaram. Mas existem outras histórias muito mais importantes acontecendo por trás dessa trama principal, e é justamente quando percebe isso que o filme deixa de ser apenas uma aventura cercada por física, química, raios laser e naves espaciais.
Ryan Gosling ajuda muito nessa travessia. Seu personagem precisa sustentar longos períodos de isolamento, e o ator consegue alternar humor, vulnerabilidade e aquela sensação de carregar uma responsabilidade grande demais para uma única pessoa. Mas o que realmente fez o filme crescer para mim foi perceber que, aos poucos, a missão de salvar o mundo deixa de ser a parte mais interessante daquela jornada. O espaço continua enorme, a ameaça continua existindo, mas a história começa a encontrar seu coração nas relações que surgem justamente onde parecia impossível existir qualquer conexão.
Foi também o ponto que mais explorei na minha crítica de Devoradores de Estrelas: ninguém encontra seu lugar sozinho, nem no fim do universo. Na crítica, falei sobre como o filme funciona melhor quando abandona um pouco a obsessão por explicar o impossível e percebe que salvar o mundo pode até ser uma missão gigantesca, mas encontrar nosso lugar nele é uma questão muito mais íntima.
E foi isso que permaneceu comigo. Devoradores de Estrelas acabou se tornando muito menos uma história sobre espaço e muito mais um estudo sobre conexão, pertencimento e a importância que podemos assumir na vida do outro. Nem sempre encontramos nosso lugar no universo por nós mesmos; às vezes, descobrimos onde pertencemos justamente quando percebemos que alguém precisa que estejamos ali. Foi essa camada humana, escondida dentro de uma ficção científica enorme e um pouco maluca, que colocou o filme no topo dos meus filmes favoritos de julho.
2. O Drama | HBO Max

O Drama chegou agora à HBO Max, mas meu primeiro encontro com o filme aconteceu no cinema — e da melhor maneira possível: sem saber absolutamente nada sobre ele. Não tinha procurado detalhes sobre a história e entrei na sessão praticamente às cegas. Depois que saí, fiquei com a sensação de que essa foi a melhor maneira possível de encontrá-lo. Agora que está disponível no streaming, se você também conseguir assistir sabendo o mínimo, minha recomendação é simples: faça isso.
Não quero entrar muito na trama porque parte do impacto que tive veio justamente de descobrir sozinho o que o filme queria fazer e, principalmente, a forma como suas temáticas começam a aparecer. Fui sendo surpreendido pelo caminho escolhido pela história e terminei a sessão bastante impactado. É um daqueles casos em que contar demais, mesmo sem revelar propriamente um spoiler, já pode diminuir um pouco da experiência.
E o que dizer da dupla no centro de tudo? Ai, meu coração! Existe uma dinâmica entre os dois que foi fundamental para eu embarcar no filme e que tornou tudo ainda mais interessante conforme a história avançava. O longa do diretor Kristoffer Borgli entrou nos meus filmes favoritos de julho justamente por ter conseguido algo cada vez mais difícil: me pegar completamente desprevenido.
3. A Voz de Hind Rajab | Netflix

Demorei para assistir a A Voz de Hind Rajab. É um filme que se aproxima do documentário em sua construção e realiza um trabalho fascinante ao ponto de fazer você praticamente esquecer que está acompanhando toda a história dentro de um único cenário. A limitação física nunca diminui a experiência; ao contrário, parece tornar tudo ainda mais sufocante.
É perturbador, reflexivo e difícil de simplesmente deixar para trás quando termina. Há imagens que permanecem, mas aqui foram principalmente os sons que ficaram comigo. Tenho certeza de que muita gente terminará o filme impactada e dificilmente esquecerá aquela voz depois dos créditos. Entre tantas possibilidades de o que assistir, esta não é necessariamente a recomendação mais fácil dos meus favoritos do mês, mas certamente está entre aquelas que considero mais difíceis de esquecer.
4. Undertone | HBO Max

“Não tenha medo do escuro. Tenha medo do silêncio.” Talvez nenhuma frase resuma melhor a experiência de assistir a Undertone. É impressionante a tensão que o filme consegue provocar usando principalmente o som. E é praticamente impossível não passar parte da sessão vasculhando cada pedaço da tela enquanto a câmera gira — literalmente — procurando algum espírito, vulto ou assombração escondida. Que nervoso!
É justamente esse domínio da atmosfera que faz o filme valer a pena para quem gosta do gênero. Undertone entende que aquilo que imaginamos ouvir ou enxergar pode ser muito mais perturbador do que simplesmente colocar alguma coisa diante da câmera. Sobre o final, talvez esteja aí sua maior controvérsia — e não vou entrar nela para não estragar a experiência. Para quem terminar querendo discutir justamente o que aconteceu, deixei essa conversa para a minha crítica completa de Undertone, onde aprofundo a interpretação do filme e de seu desfecho.
5. Manual Prático da Vingança Criativa | Prime Video

Às vezes é muito bom encontrar um filme que tenha apenas a pretensão de contar uma história com início, meio e fim. Manual Prático da Vingança Criativa entende exatamente o tipo de diversão que pretende entregar e não tenta transformar uma proposta simples em algo maior ou mais importante do que ela realmente precisa ser.
Eu me diverti e embarquei principalmente na maneira como a história é contada, acompanhada por um jogo de câmeras que deixa tudo mais dinâmico. É um filme que passa rápido, consegue arrancar boas risadas e faz isso sem parecer exagerado. Entre tantas recomendações de streaming tentando convencer o público de que toda produção precisa ser um grande acontecimento, foi ótimo simplesmente encontrar uma história divertida e bem contada.
Dica Extra | Mestres do Universo | Prime Video

Vai dizer que você não adora uma farofa? Mestres do Universo entrega uma quantidade enorme de nostalgia e, sinceramente, foi exatamente isso que eu queria encontrar aqui. Você não precisa ser fã para se divertir. Se for, vai se sentir lembrado em vários momentos; se não for, ainda assim é muito provável que saia feliz da sessão. Afinal, em algum momento da nossa vida, o príncipe Adam falou com a gente.
E talvez o que mais tenha funcionado para mim seja justamente a falta de vergonha em assumir essa diversão. Às vezes, tudo que a gente precisa é não encontrar uma releitura ou uma versão séria daquilo que sempre foi feito para divertir. Mestres do Universo entende isso, abraça a própria farofa e deixa a nostalgia fazer parte da experiência sem tentar justificar sua existência transformando tudo em algo mais profundo do que precisa ser.
Por isso ele entra como minha dica extra dos favoritos de julho: não porque queira reinventar Eternia, mas porque me fez reencontrá-la e simplesmente me divertir outra vez.
Favoritos de Julho | O que ficou comigo depois dos créditos?
Quando reuni os favoritos de julho, ficou ainda mais claro que a surpresa foi o que costurou minhas escolhas neste mês. Não necessariamente aquela grande reviravolta capaz de mudar tudo no último minuto, mas algo que gosto muito mais de encontrar: histórias que começam parecendo uma coisa e, aos poucos, revelam que têm outros lugares para nos levar.
Foi assim quando Devoradores de Estrelas encontrou algo muito mais humano por trás de sua ficção científica, quando Prazer Máximo Garantido usou uma premissa provocativa para falar sobre intimidade, trabalho e as relações que construímos dentro e fora das telas, ou quando Undertone descobriu no som uma maneira extremamente eficiente de me deixar desconfortável. Mas também houve espaço para simplesmente me divertir com Parceiras no Crime e Manual Prático da Vingança Criativa, porque nem toda história precisa mudar nossa vida para merecer nosso tempo.
Talvez seja justamente isso que eu mais goste de perceber quando volto ao que assisti durante um mês inteiro. Os Favoritos do Mês não existem para escolher vencedores ou determinar quais foram os melhores filmes e séries lançados. Eles são um registro das histórias que encontraram alguma maneira de ficar comigo — algumas pela emoção, outras pela diversão e algumas porque ainda estou pensando nelas.
E agora quero saber dos seus. Quais foram os seus favoritos de julho? Se você também está procurando o que assistir, me conte nos comentários qual filme, série ou documentário deste mês você indicaria sem pensar duas vezes. Sua recomendação pode acabar sendo justamente a próxima história que vai aparecer por aqui.






