Organizar os favoritos de junho acabou sendo mais difícil do que eu imaginava. Não porque faltaram boas séries, mas porque cada uma delas encontrou um caminho diferente para permanecer comigo depois do último episódio.
Junho reuniu despedidas emocionantes, mistérios capazes de prender uma maratona inteira, dramas sobre amizade, suspense psicológico e até aquela série de conforto que chega justamente quando precisamos respirar entre histórias mais densas. No fim, foram essas cinco produções que conquistaram um lugar especial na minha memória ao longo do mês.
As 5 séries e minisséries de junho que me prenderam
1. O Urso | Temporada 5 | Disney+

A aclamada criação de Christopher Storer chega à sua quinta e última temporada consolidando a transição do antigo e caótico restaurante de sanduíches para o refinado e tenso ambiente da alta gastronomia. O enredo acompanha o chef Carmy Berzatto, interpretado pelo premiado Jeremy Allen White, ao lado de sua brilhante subchef Sydney (Ayo Edebiri) e do resiliente gerente Richie (Ebon Moss-Bachrach), enfrentando o desafio definitivo: alcançar e manter a tão sonhada estrela Michelin.
Sob a iminência de prazos sufocantes e uma crônica crise financeira familiar, a equipe se desdobra em uma rotina onde o preço da perfeição estética e técnica passa a cobrar taxas altíssimas sobre a sanidade mental e a estabilidade emocional de todos os envolvidos.
É justamente quando leva seus personagens ao limite que The Bear (ou O Urso) mostra por que se tornou uma das séries mais importantes dos últimos anos. Esta temporada representa o ápice de uma das produções mais premiadas e culturalmente impactantes da atualidade.
O desfecho amarra de certa forma as complexas dinâmicas de trauma familiar e superação que definiram a série, entregando aquela direção rítmica e claustrofóbica que já virou sua marca registrada. É sem dúvida umas das séries favoritas de junho e também de muitos outros meses e anos.
2. O Segredo de Widow’s Bay | Apple TV+

Conduzido pelas atuações afiadas de Matthew Rhys, Stephen Root e Kate O’Flynn, este intrigante suspense com toques de humor ácido acompanha as ambições do prefeito de uma isolada e pitoresca ilha na região da Nova Inglaterra. Decidido a arrancar o vilarejo de uma crônica estagnação econômica, o político coloca em prática um ousado e agressivo plano de expansão turística e imobiliária.
O problema começa quando as primeiras escavações e reformas estruturais perturbam o solo local, desencadeando uma sequência de bizarros fenômenos sobrenaturais e mortes inexplicáveis. À medida que o pânico se instala, o comitê local percebe que mexer nas fundações da ilha significou violar segredos que deveriam permanecer enterrados, trazendo à tona uma perigosa maldição que remonta aos tempos coloniais.
Mas O Segredo de Widow’s Bay vai além de um suspense sobrenatural. Seu grande trunfo é conseguir equilibrar a atmosfera gótica e assustadora com uma crítica social sarcástica sobre a ganância humana. É a escolha perfeita para quem adora tramas de mistério em comunidades isoladas e quer uma narrativa moderna que foge dos clichês tradicionais de terror.
Se você ainda não leu, vale conferir também minha crítica completa de O Segredo de Widow’s Bay, onde explico por que essa foi uma das maiores surpresas do mês.
3. As Quatro Estações | Temporada 2 | Netflix

Cocriada por Tina Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield, a adaptação seriada do clássico filme de 1981 retorna para o seu segundo ano aprofundando as complexidades das amizades que sobrevivem ao tempo. O elenco estelar liderado pela própria Tina Fey ao lado de Will Forte, Colman Domingo e Erika Henningsen dá vida a um grupo de amigos de longa data que mantém a rígida tradição de viajar juntos quatro vezes ao ano, acompanhando a mudança das estações.
Após os eventos dramáticos que encerraram o primeiro ano, o grupo tenta se reconstruir em meio ao luto, enquanto novos cenários — que variam do aconchegante interior de Nova York às paisagens da Itália — servem de pano de fundo para crises conjugais, uma inesperada gravidez tardia e questionamentos profundos sobre o rumo de suas carreiras na maturidade.
O charme da série continua sendo mostrar que o tempo muda as pessoas, mas não necessariamente enfraquece os laços construídos ao longo da vida. Sob o selo da comédia inteligente de Tina Fey, a produção se destaca por sua escrita rápida, diálogos afiados e um tom acolhedor que gera identificação imediata.
Vale a pena assistir porque aborda as dores e as delícias de envelhecer ao lado de quem amamos sem perder a leveza e o humor característicos.
4. Eu Vou Te Encontrar | Netflix

Criada por Robert Hull e baseada no aclamado best-seller I Will Find You, do mestre do suspense Harlan Coben, esta minissérie acompanha o pesadelo de David Burroughs, interpretado por Sam Worthington. Condenado à prisão perpétua pelo suposto assassinato brutal de seu próprio filho de três anos, David vive anestesiado pela culpa e pelo confinamento em uma prisão de segurança máxima.
Tudo muda drasticamente cinco anos após a sentença, quando sua ex-cunhada (Britt Lower) aparece com uma fotografia recente tirada em um parque de diversões, onde um garoto idêntico ao seu filho aparece ao fundo. Com o apoio de personagens vividos por Milo Ventimiglia e Chi McBride, David arquiteta uma fuga milimétrica e inicia uma caçada humana eletrizante para desvendar uma conspiração criminosa sistêmica e descobrir o que realmente aconteceu com o menino.
Quem acompanha as adaptações de Harlan Coben para a Netflix provavelmente já sabe o que esperar: uma história impossível de assistir apenas um episódio por vez. O público se sente compelido a montar esse enorme quebra-cabeça repleto de ganchos impactantes a cada final de capítulo.
Se você também gosta desse tipo de suspense, aproveite para conferir minha lista com os motivos que tornam as adaptações de Harlan Coben fenômenos na Netflix, e que reúne outras produções perfeitas para maratonar.
5. Oasis | Netflix

Concebida pelas mentes de Ramón Campos e David Orea – criadores conhecidos pela precisão em dramas de época e mistérios –, esta sofisticada série espanhola ambienta sua trama nas dependências do Oasis Infinity, um resort de veraneio ultra exclusivo cercado por fortes esquemas de segurança privada.
A rotina de ostentação e tranquilidade dos hóspedes milionários desmorona completamente quando a filha do diretor do complexo desaparece sem deixar rastros durante uma badalada festa de verão. Com o isolamento imediato decretado pelas autoridades policiais para as investigações, funcionários e hóspedes ricos, interpretados por Ana Garcés, Paco Tous, Verónica Sánchez e Tomy Aguilera, ficam confinados no mesmo espaço.
O confinamento força a exposição de segredos fiscais, adultérios e rivalidades antigas, transformando o resort paradisíaco em uma panela de pressão psicológica.
Oasis confirma que o suspense espanhol continua vivendo uma excelente fase. A produção combina uma atmosfera luxuosa com um jogo de investigação cada vez mais envolvente, fazendo o espectador desconfiar de praticamente todos os personagens.
Vale a pena assistir pela tensão constante, pelas atuações do elenco e pela forma como transforma um cenário paradisíaco em um espaço onde ninguém parece realmente seguro.
O documentário e os filmes que salvaram meu mês
Se as séries dominaram boa parte das minhas noites em junho, os filmes acabaram sendo responsáveis pelas reflexões que permaneceram depois dos créditos. Entre dramas, suspense, documentários e até uma animação bastante inusitada, encontrei histórias que me fizeram pensar sobre luto, culpa, coragem, memória e a capacidade de recomeçar.
São produções muito diferentes entre si, mas que compartilham uma característica importante: todas conseguiram permanecer comigo muito além do tempo de duração.
1. Twinless – Um Gêmeo a Menos | HBO Max

Com roteiro e direção assinados pelo cineasta James Sweeney, esta comédia dramática com forte viés psicológico acompanha a jornada de Roman, personagem vivido por Dylan O’Brien. Incapaz de processar o luto devastador pela morte repentina de seu irmão gêmeo idêntico, Roman se isola do convívio social até decidir, por recomendação médica, ingressar em um grupo de apoio terapêutico voltado exclusivamente para gêmeos sobreviventes.
É nesse ambiente vulnerável que ele desenvolve uma conexão imediata e quase obsessiva com Dennis (François Arnaud), outro homem que compartilha da exata mesma dor de perder sua metade biológica. O filme avança mostrando como essa nova e intensa amizade, que conta também com a presença acolhedora de Lauren Graham no elenco, começa a cruzar linhas perigosas à medida que segredos de dependência emocional e traumas passados vêm à tona.
O que torna Twinless tão especial é a forma delicada como aborda um tipo de luto raramente explorado pelo cinema. O filme equilibra momentos de profunda melancolia com um humor sutil e desconfortável, enquanto Dylan O’Brien e François Arnaud constroem uma química que sustenta toda a narrativa. É uma história sobre identidade, vazio e pertencimento que merece ser descoberta.
2. Hallow Road: Caminho sem Volta | Prime Video

Sob a direção precisa de Babak Anvari, este suspense de alta voltagem psicológica coloca Matthew Rhys – mais uma vez na lista de favoritos de junho – ao lado da talentosa Rosamund Pike, nos papéis de um casal que vive uma noite de terror absoluto. No meio de uma madrugada tempestuosa, o telefone da casa toca: é a filha adolescente deles, em estado de choque, revelando que atropelou gravemente uma pessoa em uma estrada vicinal completamente isolada e escura.
Cientes do erro da jovem e do risco iminente de prisão, os pais entram no carro e iniciam uma corrida automobilística desesperada contra o relógio e contra as forças da natureza para encontrar a filha antes da chegada das viaturas policiais. Conforme se embrenham pela escuridão de Hallow Road, o casal começa a divergir sobre as decisões legais e morais do resgate, expondo fraturas profundas em seu casamento.
Mais do que um thriller eficiente, Hallow Road transforma um dilema moral em uma experiência sufocante do início ao fim. A narrativa nos obriga a responder uma pergunta extremamente desconfortável: até onde iríamos para proteger alguém que amamos? Rosamund Pike e Matthew Rhys sustentam essa tensão com atuações impecáveis.
Se quiser conhecer melhor minhas impressões sobre o filme, também publiquei uma crítica com final explicado de Hallow Road: Caminho sem Volta aqui no Tem Um Filme.
3. Nuremberg | Prime Video

Escrito e dirigido por James Vanderbilt e adaptado da renomada obra biográfica The Nazi and the Psychiatrist, de Jack El-Hai, este drama histórico resgata os bastidores políticos e médicos dos célebres julgamentos pós-Segunda Guerra Mundial.
A narrativa deixa de lado os campos de batalha para focar no claustrofóbico e tenso duelo de mentes entre o psiquiatra militar norte-americano Douglas Kelley, interpretado por Rami Malek, e o principal líder nazista sobrevivente aguardando o veredito, Hermann Göring, trazido à tela por uma atuação imponente de Russell Crowe.
Ao lado de jovens talentos como Leo Woodall, a trama disseca as exaustivas sessões de interrogatório psicológico destinadas a avaliar a sanidade dos réus, revelando os bastidores da engenharia documental e os limites éticos envolvidos no processo de fazer a justiça internacional prevalecer sobre o horror organizado.
Nuremberg encontra sua força justamente nos diálogos e nos confrontos intelectuais entre seus protagonistas. Muito mais do que um filme sobre guerra, a produção propõe uma reflexão sobre responsabilidade, manipulação e os limites da natureza humana. É uma obra que prende pela inteligência do roteiro e pelas grandes atuações de Rami Malek e Russell Crowe.
4. Tetra: Acreditar de Novo | Netflix

Este longa-metragem documental reconstrói de forma minuciosa a mística e os sacrifícios por trás da épica conquista do tetracampeonato da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. A grande inovação técnica da produção reside na utilização de arquivos de vídeo inéditos e caseiros gravados em fitas cassete pelos próprios atletas Gilmar Rinaldi e Jorginho durante o longo período de concentração e isolamento.
Cruzando esse material íntimo com depoimentos atuais e emocionantes de lendas como Romário, Bebeto, Raí e o capitão Dunga, o documentário expõe as crises de vestiário, o ambiente sufocante de desconfiança por parte da imprensa da época e a união psicológica de um grupo que carregava nas costas a responsabilidade de quebrar um doloroso jejum de 24 anos sem títulos mundiais para o país.
Mesmo para quem já conhece o resultado daquela Copa do Mundo, Tetra: Acreditar de Novo consegue emocionar pela forma como revela seus bastidores. O documentário vai muito além dos gols históricos e mostra o peso psicológico de uma geração que carregava a responsabilidade de devolver um título ao Brasil. É um retrato humano de superação, liderança e trabalho em equipe.
5. As Ovelhas Detetives | Prime Video

Baseada no aclamado romance policial satírico Glennkill, da autora Leonie Swann, esta divertida comédia de mistério acompanha George, um pastor de ovelhas que cultiva o hábito de ler clássicos de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle para seu rebanho todas as noites.
O que ninguém imagina é que os animais compreendem perfeitamente aquelas histórias. Quando George aparece morto em circunstâncias misteriosas, as próprias ovelhas resolvem utilizar tudo o que aprenderam para descobrir quem é o assassino antes da polícia.
É impossível não se render à criatividade da premissa. O filme consegue homenagear os romances policiais clássicos enquanto constrói uma aventura leve, divertida e surpreendentemente inteligente.
Somado ao elenco liderado por Hugh Jackman e Emma Thompson, e as vozes de Brett Goldstein, Bryan Cranston, Patrick Stewart e outros, o resultado é uma produção que agrada tanto aos fãs de mistério quanto a quem procura uma boa sessão em família.
Dica Extra| O Frio da Morte | Prime Video

Dirigido por Brian Kirk, O Frio da Morte acompanha Barb, personagem vivida por Emma Thompson, uma pescadora viúva que tenta reconstruir a própria vida em meio às paisagens congeladas de Minnesota. Durante uma forte nevasca, ela acaba encontrando uma jovem sequestrada e passa a ser perseguida por criminosos enquanto luta para sobreviver utilizando apenas sua experiência naquele ambiente hostil.
Emma Thompson entrega uma atuação impressionante em um papel muito diferente daqueles aos quais estamos acostumados. O suspense funciona justamente porque utiliza a própria natureza como uma ameaça constante, criando uma atmosfera de isolamento que prende a atenção do início ao fim. É uma ótima indicação para quem gosta de histórias de sobrevivência carregadas de tensão.
Favoritos de Junho | O que ficou comigo depois dos créditos?
Ao terminar de organizar meus favoritos de junho, percebi que este foi um mês marcado por histórias muito diferentes entre si, mas que pareciam conversar sobre um mesmo sentimento. Seja através do suspense, do drama, da comédia ou do documentário, quase todas encontraram alguma forma de falar sobre pessoas tentando seguir em frente diante de desafios que pareciam maiores do que elas.
Foi um mês de despedidas importantes, como a emocionante reta final de O Urso; de mistérios que me prenderam do primeiro ao último episódio, como O Segredo de Widow’s Bay e Eu Vou Te Encontrar; de filmes que transformaram dilemas morais em experiências angustiantes, como Hallow Road: Caminho sem Volta; e de histórias que lembraram que recomeçar quase nunca é simples, mas sempre vale a tentativa.
Talvez daqui a alguns meses eu mude a ordem de um ou outro título. Talvez descubra outras produções que merecessem estar nesta lista. Mas essa é justamente a ideia dos Favoritos do Mês. Eles não representam um ranking definitivo dos melhores lançamentos, e sim um registro muito pessoal das obras que mais me acompanharam ao longo daquele período. São os filmes, séries e documentários que permaneceram comigo quando a tela escureceu e os créditos terminaram.
E agora quero ampliar essa conversa.
Quais foram os seus favoritos de junho? Houve algum filme, série ou documentário que também ficou na sua cabeça por dias depois de terminar? Ou alguma produção desta lista entrou para a sua próxima maratona?
Conte nos comentários. Gosto de descobrir novas recomendações através de quem acompanha o Tem Um Filme e, muitas vezes, é justamente uma indicação dos leitores que acaba aparecendo nos meus próximos favoritos do mês.







