“Eu nunca vou ler o livro, porque, se eu lesse, teria que discuti-lo com você.”
Paul (Kyle Chandler) diz isso à esposa, Ellen (Diane Lane), durante um almoço em família que já saiu completamente do controle. Ela tenta alertar sobre as ideias defendidas no livro de Liz (Phoebe Dynevor), a nora que está grávida de oito meses e se tornou uma figura cada vez mais influente. Josh (Dylan O’Brien), filho do casal, usa justamente a gravidez para tentar encerrar a discussão. Paul só quer que todos parem de brigar. Quando Cynthia (Zoey Deutch) pergunta de que lado ele está, ele insiste: “Não há lados”.
Mas há. E é a partir dessa contradição que O Aniversário (2025), filme que estreou no último dia 10 de setembro no Prime Video, dirigido por Jan Komasa, que já havia explorado a manipulação política e o ódio nas redes sociais em Rede de Ódio (2020), constrói um drama familiar que me deixou pensando muito depois dos créditos. Não apenas pela maneira como a polarização política pode destruir relações, mas por algo que considero ainda mais difícil de reconhecer: o momento em que evitar uma discussão deixa de ser uma tentativa de evitar o conflito e passa a significar aceitar, sem questionar, aquilo que está acontecendo.
Até que ponto estamos dispostos a ficar em silêncio para manter a paz?
O Aniversário não responde a essa pergunta de maneira confortável. E talvez seja por isso que aquela conversa à mesa tenha ficado tanto tempo na minha cabeça.
Uma família começa a mudar junto com o país
O Aniversário começa quando Ellen, professora de ciência política, e Paul, chef e dono de restaurante, comemoram 25 anos de casamento reunindo os quatro filhos em casa. É nesse encontro que Josh, o único filho homem do casal, apresenta Liz, sua nova namorada – e ex-aluna de Ellen. O reencontro entre as duas está longe de ser confortável. Liz está prestes a publicar A Mudança: Um Novo Pacto Social (ou no original The Change: A New Social Compact), livro que dará nome e força a um movimento político que começa a crescer no país.
A partir daí, o filme acompanha os Taylor durante cinco anos, retornando à família em diferentes encontros até chegar ao 30º aniversário de Ellen e Paul. É uma estrutura que funciona muito bem porque não precisamos acompanhar cada passo da transformação que acontece fora daquela casa. O tempo passa e encontramos novamente aquelas pessoas para perceber o que mudou: nas relações, nas conversas e até na maneira como ocupam os mesmos espaços. Enquanto A Mudança cresce no país, as tensões também crescem dentro da família.
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E foi essa escolha que me manteve preso ao filme. O Aniversário poderia facilmente se transformar em uma história preocupada demais em explicar seu movimento político, mas Komasa está mais interessado em observar seus efeitos. E, sem entrar em spoilers, há algo particularmente angustiante em perceber que aquela família que conhecemos reunida e aparentemente tão próxima vai se tornando outra diante dos nossos olhos.
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Diane Lane conduz um elenco que funciona muito bem
Diane Lane é quem mais me chamou a atenção. Ellen não é construída apenas como a personagem que percebe o perigo antes dos outros. Existe uma mãe ali, tentando entender até onde pode confrontar as escolhas dos filhos sem perdê-los. Lane consegue carregar essa preocupação mesmo nos momentos em que Ellen é mais incisiva, e isso impede que suas discussões se resumam a discursos políticos.
Kyle Chandler trabalha muito bem no sentido contrário. Paul quer manter a família funcionando e frequentemente parece acreditar que não entrar no confronto é a melhor maneira de conseguir isso. É uma atuação mais contida, mas importante, muito porque o personagem precisa transmitir essa tentativa constante de normalidade enquanto tudo ao redor começa a mudar.

Phoebe Dynevor talvez tenha o papel mais difícil. Liz precisa ser suficientemente carismática para entendermos sua ascensão e, ao mesmo tempo, conservar algo difícil de decifrar. E ela consegue fazer isso sem transformar a personagem em uma vilã óbvia. Dylan O’Brien retorna a um papel em que interpreta um personagem odiável como em Socorro (2026), muito diferente dos gêmeos no sensível Twinless: Um Gêmeo a Menos que falamos aqui um tempo atrás.
Aqui ele também tem bons momentos como Josh, especialmente porque sua transformação acontece gradualmente. Zoey Deutch, Madeline Brewer e Mckenna Grace completam os filhos dos Taylor como Cynthia, uma advogada ambientalista, Anna, uma estrela da música em ascensão e Birdie, uma cientista com futuro promissor.
Daryl McCormack como Rob, o marido facilmente influenciável de Cynthia e Sky Yang, como Moses, o amigo namorado da caçula Birdie completam o elenco, mas sem o brilho dos Taylors apesar de suas participações renderem ótimas cenas no filme.
A crítica se dividiu sobre O Aniversário, e essa divisão aparece claramente nos agregadores. No Rotten Tomatoes, O Aniversário está com 68% de aprovação da crítica, enquanto o público registra 78%. O consenso do próprio agregador resume bem a discussão: há menos concordância sobre sua eficácia como parábola política do que sobre sua capacidade de funcionar como thriller. Nos demais agregadores a divisão é ainda mais evidente: no Metacritic, o filme tem 57/100, enquanto no Letterboxd, o longa tem 3,1/5 e no IMDb, tem 6,7/10.
A diferença talvez esteja principalmente na maneira como a alegoria política foi recebida. Enquanto alguns avaliam que o comentário social não alcança a mesma força do suspense e considerou sua parábola difusa, outros elogiam a tensão e as atuações, mesmo considerando simplificada demais a representação do avanço autoritário.
Vale a pena assistir “O Aniversário“?
Para mim, sim – e muito. Entendo que uma das principais críticas ao filme é que O Aniversário cresce tão rapidamente que senti falta, em alguns momentos, de compreender melhor como aquele discurso conquistou tanta gente. Há um salto entre aquilo que começa dentro da família e as proporções que o movimento alcança. Será que faltou coragem para falar sobre a desinformação e interferências externas na política?

Só que isso não diminuiu o que mais funcionou para mim. Eu não precisava conhecer cada detalhe do filme para me envolver com o que estava acontecendo com os Taylor. O longa me prendeu durante as quase duas horas de duração, tem boas atuações e transforma cada novo encontro daquela família em uma oportunidade de perceber que alguma coisa mudou desde a última vez.
E alguns desses detalhes só revelam todo o seu peso quando sabemos onde essa história vai chegar.
⚠️ AVISO DE SPOILER: O trecho a seguir revela detalhes cruciais do desfecho e segredos da trama de “O Aniversário”.
O silêncio também escolhe um lado
A discussão do almoço é um dos momentos em que a postura de Paul fica mais clara. Ellen tenta fazer a família perceber o que existe por trás do discurso de Liz, mas ele se recusa até a ler o livro. Não é que Paul tenha analisado aquelas ideias e chegado a uma conclusão diferente da esposa. Ele prefere não conhecê-las porque sabe que, se conhecer, terá de se posicionar.

Isso torna seu “não há lados” tão doloroso. Para Ellen, o que está em jogo já ultrapassou uma divergência entre familiares. Já para Paul, reconhecer a gravidade da situação significaria admitir que a paz que ele tenta preservar talvez já não exista. Ele ama os filhos e quer continuar perto deles, mas sua tentativa de manter todos à mesa acaba deixando Ellen cada vez mais sozinha naquilo que está tentando dizer.
O que me chamou atenção em O Aniversário é que essa escolha não nasce necessariamente da concordância com Liz. Nasce do desejo de não perder a família, tornando-a perigosa em certo momento: Paul acredita estar protegendo os vínculos que ama, enquanto evita enfrentar aquilo que começa a destruí-los.
Josh deixa de enxergar o que está diante dele
Há outro detalhe sutil e visual que me chamou a atenção em Josh: ele começa o filme usando óculos e, conforme os anos passam, deixa de usá-los. Não sei se essa foi uma metáfora planejada por Komasa, mas, na minha leitura, a mudança combina muito com o caminho do personagem.
Os óculos, que deveriam ajudá-lo a enxergar, desaparecem justamente quando Josh parece perder a capacidade de olhar criticamente para o que acontece ao seu redor. Quanto mais ele se aproxima de Liz e de A Mudança, menos espaço encontra para considerar a preocupação da própria mãe. Não é uma transformação que acontece de uma vez. Ela se revela nas respostas, na maneira como ele interrompe Ellen e na facilidade com que trata os alertas dela como ataques à esposa.

Na cena do almoço, a gravidez de Liz se torna um argumento para encerrar a conversa. Ellen está falando sobre o conteúdo do livro e suas consequências; Josh desloca a discussão para a obrigação de respeitar uma mulher prestes a dar à luz. A preocupação com Liz é compreensível, mas não responde a nada do que Ellen está dizendo. O assunto muda, e a pergunta mais importante fica sem resposta. Sem contar que mais tarde vemos como Josh trata seus filhos e não permite qualquer interferência em relação à educação deles, nem de seu próprio pai que o criou.
Essa é a força da metáfora dos óculos para mim: Josh não fica literalmente incapaz de ver. Ele passa a olhar para a realidade por uma perspectiva tão estreita que já não consegue reconhecer o que sua mãe tenta lhe mostrar. O problema não é a falta de visão, mas a recusa em rever aquilo em que decidiu acreditar.
Três filhas, três maneiras de viver a mesma ruptura
A derrocada dos Taylor também aparece nas trajetórias das filhas. Birdie, a mais nova, tenta encontrar espaço em uma família na qual as discussões dos adultos parecem ocupar tudo. Anna, que deseja seguir seu caminho como artista, enfrenta de forma mais aberta o ambiente de conformidade que se instala. Cynthia procura preservar a imagem de uma vida familiar organizada, mesmo quando essa aparência já não dá conta do que acontece.
Gosto de como essas diferenças, propositalmente colocadas para representar as áreas mais impactadas quando se restringe a liberdade através do autoritarismo (Ciência, Cultura e Meio Ambiente), impedem que a família seja tratada como um grupo que reage de maneira uniforme. Todos convivem com as mesmas mudanças, mas não têm a mesma liberdade para contestá-las nem fazem as mesmas concessões. O que para um personagem parece uma forma de seguir em frente pode representar, para outro, uma perda impossível de aceitar.
Ellen sente isso de maneira especialmente cruel, quando sua preocupação não se limita ao avanço de A Mudança: ela vê os próprios filhos se afastarem uns dos outros e dela. Quanto mais tenta alertá-los, mais corre o risco de ser vista como a pessoa que está provocando o conflito. A mãe que deseja proteger a família acaba sendo tratada como uma ameaça à tranquilidade da casa.
Quando já não é possível fingir que não há lados
O desfecho torna impossível sustentar a posição que Paul defendia naquele almoço. Durante anos, ele tentou acreditar que poderia permanecer fora do conflito, preservar a família e continuar sua vida sem escolher um lado. No fim, essa escolha deixa de existir: ele e Ellen são detidos, têm os rostos cobertos e são separados sem sequer saber para onde estão sendo levados.
Foi justamente a imagem dos capuzes brancos que me levou imediatamente à Ku Klux Klan. Não apenas pela semelhança visual. O capuz branco se consolidou historicamente como um dos símbolos mais reconhecíveis do grupo supremacista e esteve ligado a uma prática de intimidação na qual esconder o rosto também ajudava a transformar seus integrantes em parte de uma força coletiva.
Em O Aniversário, encontrei quase uma inversão perturbadora dessa imagem: quem tem o rosto apagado não é quem exerce o poder, mas quem está completamente submetido a ele. Ellen e Paul deixam de ser vistos como indivíduos e passam a ser corpos conduzidos por agentes de um regime que já não precisa explicar suas decisões.

A cena também me fez pensar em Ainda Estou Aqui (2024), mas por outro motivo. A associação, para mim, está menos na aparência e mais na sensação produzida pela detenção: pessoas retiradas de sua vida cotidiana por uma estrutura autoritária, sem controle sobre o que acontecerá a seguir e sem a segurança de que continuarão ao lado de quem amam. Lembrou alguma coisa ou época?
É essa incerteza que torna a separação de Ellen e Paul tão cruel. Depois de acompanharmos um casal tentando manter a família unida durante todo o filme, o poder político invade definitivamente aquilo que Paul acreditava conseguir preservar dentro de casa.
E há uma ironia especialmente dolorosa nisso. Paul passou boa parte da história insistindo que “não há lados” e no final, não é mais ele quem decide se quer participar daquele conflito. O regime escolhe por ele.
São associações minhas, não uma afirmação de que Komasa tenha pretendido fazer essas referências. O que aproxima essas imagens, para mim, é a sensação de que o poder já não precisa convencer ninguém – ele pode simplesmente separar, silenciar e fazer desaparecer a segurança que parecia existir na vida cotidiana.
É nesse ponto que volto à frase de Paul. Ao dizer que não queria ler o livro porque isso o obrigaria a discuti-lo com Ellen, ele tentava continuar sendo marido e pai sem precisar escolher um lado, como se evitar o confronto fosse suficiente para preservar a família. Mas sua recusa em participar daquela discussão não impediu que as escolhas fossem feitas – apenas permitiu que outras pessoas também as fizessem por ele, até que as consequências chegassem a todos.
O silêncio de Paul não causou sozinho o que aconteceu aos Taylor, e o filme não precisa transformá-lo no responsável por tudo. O que torna sua trajetória tão triste é outra coisa: ele passou anos tentando evitar uma ruptura que, no fim, não pôde evitar. A paz que queria preservar dependia de não olhar diretamente para o que estava diante dele.
Final explicado de O Aniversário: o que acontece com a família Taylor?
O filme termina no aniversário de 30 anos de casamento de Ellen e Paul, cinco anos depois da celebração que abriu a história. A família volta a se reunir, mas quase nada permanece como antes. Anna está escondida, Cynthia vive com os pais após o fim do casamento, e Ellen já cedeu à pressão para declarar apoio a A Mudança, na tentativa de proteger os filhos.
Liz aparece usando um vestido vermelho semelhante ao que Ellen vestia na primeira festa – um detalhe que, na minha leitura, reforça a sensação de que ela passou a ocupar o lugar da sogra não só dentro daquela família, como no centro das atenções, quando o ensino e a educação estão prestes a sucumbir para o novo regime.
Durante a comemoração, Liz procura Ellen e diz estar preocupada com o comportamento de Josh. Ellen lhe dá um tapa. Mais tarde, Liz e Josh convidam o casal para dançar. É nesse momento que uma pessoa fantasiada de palhaço chega à festa: trata-se de Anna, que retorna clandestinamente e consegue falar com Cynthia. O reencontro, porém, é interrompido por uma notícia na televisão.
O que acontece com Birdie, Cynthia e Anna?
A tragédia começa quando a televisão interrompe a comemoração para informar sobre um ataque com arma biológica à sede da Cumberland em Washington, empresa ligada ao novo regime e onde Birdie trabalha. É então que Ellen e Paul veem a própria filha aparecer nas imagens e realizar um atentado suicida, uma decisão que encerra da maneira mais extrema a transformação da jovem que, ao longo dos anos, havia se revoltado cada vez mais contra A Mudança. Para os pais, porém, não existe naquele momento qualquer dimensão política capaz de se sobrepor ao que acabaram de assistir: eles simplesmente perderam a filha.

A situação se torna ainda mais devastadora porque Josh, mesmo diante do choque da família, denuncia às autoridades que Anna está na casa. Cynthia reage esfaqueando o irmão no abdômen e, ao sair com a faca ensanguentada nas mãos, é baleada pelos agentes. Anna também precisa fugir sob os disparos e corre em direção ao mar, onde mergulha, deixando seu destino em aberto. Em poucos minutos, aquela reunião que deveria celebrar os 30 anos de casamento de Ellen e Paul termina com Birdie e Cynthia mortas, Anna desaparecida e Josh ferido – a destruição da família que o casal passou todo o filme tentando impedir.
Por que Ellen e Paul são levados com os rostos cobertos?
Quando os agentes entram na casa e cobrem as cabeças de Ellen e Paul antes de levá-los, o filme recupera uma imagem apresentada muito antes. Tentando acalmar a esposa enquanto os dois são retirados à força, Paul relembra o dia em que se conheceram diante de Os Amantes, de René Magritte, pintura em que duas figuras aparecem juntas com os rostos cobertos por tecido. Aquilo que pertencia à memória afetiva do casal reaparece de maneira cruel no pior momento de suas vidas: os dois continuam lado a lado, mas já não conseguem se ver e nem sabem se permanecerão juntos depois daquela porta. O Aniversário não revela para onde são levados nem qual será o destino deles.
Josh ainda acredita ter alguma influência sobre os agentes e pede que mantenham seus pais juntos, mas é ignorado e imobilizado. É então que um dos homens pergunta a Liz o que deve fazer com ele, e sua resposta – de que Josh está com os pais – determina que ele também seja levado. Depois de passar anos se afastando da própria família enquanto se aproximava de Liz e de A Mudança, Josh descobre tarde demais que essa proximidade não lhe garantia lugar algum quando deixou de ser útil.
O que significa o sorriso de Liz na última cena?
Depois que todos são retirados, Liz permanece sozinha na casa e observa uma fotografia dos Taylor em tempos mais felizes. Por alguns instantes, sua expressão parece revelar algum impacto diante daquilo que acabou de acontecer, até que surge um pequeno sorriso. O filme não explica o gesto nem confirma que Liz tenha planejado desde o início cada etapa da destruição daquela família. Assim, na minha interpretação o sorriso pode ser lido como satisfação pela vitória sobre Ellen, sua antiga professora, mas também como a constatação de que, ao final, Liz conquistou algo muito maior do que o espaço naquela família que encontrou no começo do filme.
E é a fotografia que torna esse último plano tão incômodo. A família reunida naquela imagem praticamente deixou de existir. A Mudança surgiu prometendo superar divisões e aproximar as pessoas de um suposto centro; cinco anos depois, não conseguiu sequer preservar a família que acompanhamos desde a primeira festa.
O que fica depois do aniversário?
O que mais me marcou em O Aniversário não foi apenas o destino dos Taylor, mas a maneira como eles chegaram até ali. A família não se desfez em uma única discussão. Foi perdendo a capacidade de conversar, de ouvir e, principalmente, de reconhecer quando uma divergência já havia se transformado em algo muito mais grave.

Volto àquela frase de Paul no almoço. Ele não queria ler o livro porque teria de discuti-lo com Ellen e, naquele momento, evitar o confronto parecia uma maneira de preservar a família. Mas O Aniversário me fez pensar justamente no limite dessa escolha, porque há momentos em que não decidir também produz consequências. Isso vale para aquela casa, mas é difícil assistir ao filme sem levar a provocação para fora dela: nossas escolhas – e também aquilo que preferimos não questionar – ajudam a definir o tipo de sociedade em que vamos viver. Talvez por isso conhecer aquilo que estamos apoiando seja tão importante quanto escolher.
Nota: 8/10 – Tenso, inquietante e doloroso
E você: já assistiu? A atitude de Paul foi uma tentativa de proteger a família ou uma maneira de evitar aquilo que ele não queria enfrentar? Quero saber como você interpretou aquela conversa à mesa.

Ficha Técnica
Título: O Aniversário | Título Original: Anniversary
Ano: 2025 |Duração: 111 min
Gênero: Suspense | Drama | Thriller Político
Direção: Jan Komasa | Roteiro: Jan Komasa e Lori Rosene-Gambino
Elenco: Diane Lane, Kyle Chandler, Mckenna Grace, Zoey Deutch, Dylan O’Brien, Phoebe Dynevor, Madeline Brewer, Daryl McCormack e mais
Onde Assistir: Prime Video




Ótima crítica, parabéns! Assisti ao filme ontem e ainda não terminei de digeri-lo. O personagem Paul é muito pertinente ao nosso contexto brasileiro, em que tantos se omitem a fim de manter uma suposta paz carregada de hipocrisia e ressentimentos. Na personagem Ellen, me pegou o fato de que a lucidez e medo dela eram tamanhos a ponto de prejudicarem a escuta e diálogo com a família. Ela acabava se desesperando e agindo de forma autoritária, reforçando as acusações do movimento The Change. Ficou clara pra mim a falta de escuta dela em relação principalmente ao Josh (um poço de mágoa e ressentimento) e à Birdie, que passa o filme todo quase muda e cujos sentimentos e convicções só se expressaram pelo ato extremo do atentado suicida.
Yasmin, obrigado pelo comentário! Gostei muito da sua leitura, principalmente sobre a Ellen. Acho interessante isso que você apontou porque o filme mostra como até o medo e a tentativa de proteger a família podem acabar dificultando a escuta. E a Birdie realmente passa boa parte do filme quase sem conseguir ocupar esse espaço.
Essa dificuldade de conversar, mesmo quando todos acreditam estar tentando preservar alguma coisa é o nosso maior perigo nos dias atuais principalmente. Obrigado por trazer sua leitura para cá!