Crítica | A Hipótese do Amor (2026): Uma comédia romântica que acerta ao abraçar os clichês
Lili Reinhart e Tom Bateman têm ótima química, mas são os diálogos, as situações constrangedoras e os coadjuvantes que tornam a adaptação especialmente divertida.

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Que delícia de filme! Fui assistir a A Hipótese do Amor com a expectativa de encontrar uma comédia romântica água com açúcar, daquelas boas para passar o tempo, e acabei me divertindo muito mais do que imaginava. Nas primeiras cenas, já estava dando gargalhadas com as situações constrangedoras, os diálogos e a dinâmica entre os personagens. O filme abraça praticamente todos os clichês de uma comédia romântica clássica, mas, para mim, essa é uma de suas maiores qualidades: ele não tenta reinventar o gênero nem complicar aquilo que já funciona tão bem.

Baseado no romance de Ali Hazelwood, A Hipótese do Amor acompanha Olive Smith (Lili Reinhart), uma pesquisadora que, para convencer sua melhor amiga de que superou um antigo interesse amoroso, acaba beijando impulsivamente Adam Carlsen (Tom Bateman), um professor conhecido por sua personalidade rígida e pouco sociável. O encontro inesperado dá início a um relacionamento de mentira que, naturalmente, começa a ficar mais complicado conforme os dois se aproximam.

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É uma premissa bastante familiar para quem gosta do gênero, mas a adaptação encontra muita graça na maneira como coloca seus personagens nessas situações. Tom Bateman interpreta Adam com uma rigidez quase robótica que acaba sendo hilária — um robô charmoso, diga-se de passagem. Já Lili Reinhart mostra um timing cômico que me surpreendeu, especialmente nas interações com o restante do elenco.

Mas existe outro elemento importante nessa história. Ambientado no universo acadêmico, o romance também abre espaço para discutir as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na ciência, incluindo situações de abuso de poder. É um assunto que merece atenção e que impede que a experiência se resuma apenas ao envolvimento amoroso entre Olive e Adam. E, embora eu tenha adorado o filme, foi no desenvolvimento dessa questão que senti que ele poderia ter ido um pouco mais longe.

Os coadjuvantes fazem a diferença em A Hipótese do Amor

Uma das melhores surpresas de A Hipótese do Amor está nos personagens secundários. Anh (Rachel Marsh) e Malcolm (Jaboukie Young-White) poderiam ser apenas aqueles amigos que aparecem para comentar a vida amorosa da protagonista, mas acabam ganhando importância na experiência. Gostei especialmente da amizade entre Olive e Anh, que funciona pela cumplicidade e pelo apoio que uma oferece à outra. Malcolm também tem uma presença ótima, e os dois conseguem roubar a cena mesmo quando o romance deveria ser o centro das atenções.

Essa participação dos amigos também ajuda a dar vida ao ambiente universitário. Olive não existe apenas em função de Adam: ela tem amizades, uma rotina e pessoas que participam de suas decisões. Para uma história construída em torno de um namoro de mentira, achei importante que o filme não deixasse todas as relações da protagonista em segundo plano.

Também fiquei pensando na trajetória de Lili Reinhart. Conheci a atriz em Riverdale, série que confesso ter abandonado no meio do caminho, mas continuei acompanhando alguns de seus filmes. Em Rede Tóxica, por exemplo, ela protagoniza outra história que combina entretenimento com uma crítica social, dessa vez relacionada ao mundo corporativo. É interessante perceber essa presença de questões sociais em trabalhos tão diferentes, embora eu não saiba até que ponto isso representa uma escolha deliberada da atriz.

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Em A Hipótese do Amor, essa dimensão aparece no próprio universo científico em que Olive tenta construir sua carreira. E é aí que o filme encontra um assunto que merece ser discutido para além do romance. Porque, por mais que eu tenha me divertido com a história, existe uma questão importante sobre a experiência das mulheres na ciência que não deveria passar despercebida.

Nicholas Duvernay, Rachel Marsh e Jaboukie Young-White reunidos em uma cena de A Hipótese do Amor (2026).
Nicholas Duvernay, Rachel Marsh (Anh) e Jaboukie Young-White (Malcolm) em A Hipótese do Amor (2026). Crédito: Prime Video.

O que me incomodou não foi a presença do assunto em uma comédia romântica, muito pelo contrário. Foi a rapidez com que uma situação tão séria encontra uma solução. O problema parece maior do que o espaço que o roteiro reserva para suas consequências, e isso acaba diminuindo um pouco a força da crítica que o filme poderia fazer.

Essa escolha me fez lembrar de Uma Questão de Química, minissérie com Brie Larson, e de Estrelas Além do Tempo. São produções bastante diferentes, mas que também mostram como a trajetória de mulheres na ciência pode ser atravessada por preconceitos e desigualdades. Não esperava que A Hipótese do Amor tivesse a mesma proposta dessas obras. Ainda assim, gostaria que tivesse dedicado um pouco mais de atenção ao tema que decidiu incluir.

É uma ressalva que não comprometeu minha diversão, mas que ficou comigo depois. O romance funciona tão bem como entretenimento que existe até o risco de parte do público não perceber a importância dessa discussão. E achei uma pena, porque o filme tinha a oportunidade de fazer as duas coisas: proporcionar uma experiência leve e, ao mesmo tempo, dar mais peso a uma questão que continua relevante.

Lili Reinhart e Tom Bateman como Olive e Adam frente a frente em um laboratório no filme A Hipótese do Amor (2026).
Lili Reinhart e Tom Bateman em A Hipótese do Amor (2026). Crédito: Prime Video.

A Hipótese do Amor | Vale a pena assistir?

Vale muito! A Hipótese do Amor foi uma daquelas surpresas que tornam uma sessão despretensiosa ainda melhor. Comecei esperando apenas passar o tempo e terminei com a sensação de ter encontrado exatamente o tipo de comédia romântica que gosto de assistir.

É um filme que recomendo sem ressalvas para quem gosta de romance e comédia, especialmente para quem sente falta de histórias que não têm vergonha de assumir as convenções do gênero. Nem toda produção precisa apresentar uma grande novidade para conquistar o público, e essa foi uma das coisas que mais gostei aqui.

Saí da sessão me sentindo bem e com a impressão de que tinha encontrado algo muito melhor do que esperava. Foi uma daquelas descobertas que merecem ser compartilhadas e que fazem parte do espírito da nossa seleção de favoritos de setembro, com filmes e séries que se destacaram entre tudo o que assisti no mês.

Nota: 8/10 — Divertido, romântico e engraçado.

Cartaz de A Hipótese do Amor (2026), com Lili Reinhart e Tom Bateman abraçados sobre fundo azul com elementos científicos.

Ficha Técnica

Título: A Hipótese do Amor | Título Original: The Love Hypothesis
Ano: 2026 | Duração: 112 min
Gênero: Comédia | Romance
Direção: Claire Scanlon | Roteiro: Sarah Rothschild
Elenco: Lili Reinhart, Tom Bateman, Rachel Marsh, Jaboukie Young-White, Nicholas Duvernay, Arty Froushan, Jeananne Goossen, Aladeen Tawfeek, Kenny Wong, Daniel Brochu, Alexandra Petrachuk e mais
Onde Assistir: Prime Video

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William Carrillo

Criador e autor do Tem Um Filme, onde escreve críticas, ensaios e recomendações sobre filmes e séries.