Crítica | Frankenstein (2025): quando a solidão revela o verdadeiro monstro de Guillermo del Toro

  • Categoria do post:Filmes
  • Tempo de leitura:4 minutos de leitura
No momento, você está visualizando Crítica | Frankenstein (2025): quando a solidão revela o verdadeiro monstro de Guillermo del Toro

Frankenstein de Guillermo del Toro não olha para o mito apenas como um conto de horror. Ele olha para o espaço entre as pessoas. Para o que falta. Para o que machuca. Del Toro transforma a história em algo íntimo, onde o terror não vem da criatura, mas do abandono que a formou, mostrando que a dor não nasce do que ela é, mas do que nunca recebeu.

É um filme que pergunta, desde o início:
Quem é o verdadeiro monstro — quem é criado ou quem cria?

E Guillermo del Toro já fez disso uma assinatura: usar o fantástico para falar do humano — e, olhando sua filmografia, essa escolha não é exceção, é método. De O Labirinto do Fauno a A Forma da Água e Pinóquio, ele costuma deslocar o “monstro” do corpo para o afeto: o que assusta é o abandono, a exclusão, a falta de lugar. Em Frankenstein, ele verbaliza esse eixo com clareza ao tratar Victor e a criatura como “dois lados de um espelho”, uma relação pensada não só no texto, mas no diálogo visual entre os personagens.

Frankeinstein de Guillermo Del Toro
Oscar Isaac interpretando Victor Frankenstein (2025)

Em Frankenstein, Guillermo del Toro revisita o clássico de Mary Shelley a partir do encontro entre Victor Frankenstein, um homem obcecado pelo ato de criar, e a criatura que nasce de sua ambição. Ambientado em um universo gótico e melancólico, o filme acompanha as consequências dessa criação — não como uma história de terror tradicional, mas como um drama sobre solidão, abandono e a busca desesperada por pertencimento, em que criador e criatura passam a refletir as mesmas feridas emocionais.

O olhar de Del Toro permanece fiel ao clássico, porém suas mudanças trazem algo essencial: um jogo de espelhos entre Victor Frankenstein e a criatura. Eles não apenas se refletem, mas quase afirmam ser a mesma pessoa. Essa aproximação visual e emocional cria um subtexto forte, justificando sentimentos tortuosos como os de Elizabeth, que oscila entre admiração, medo, sem contudo demonstrar compaixão que parece deslocada — mas perfeitamente lógica quando entendemos que criador e criatura carregam a mesma solidão.

Del Toro retorna ao ambiente gótico com sua marca registrada: sombras densas, texturas úmidas e corpos que parecem existir entre dois mundos. Ainda assim, nada disso existe apenas pela beleza. O estilo funciona como confissão, onde cada quadro é uma lembrança de que a criatura nasceu sem toque, sem voz e sem lugar.

Cena de Frankeinstein de Guillermo Del Toro

Um filme sobre abandono, desejo e pertencimento

A força emocional de Frankenstein de Guillermo del Toro está na forma como ele transforma um mito sobre criação em uma reflexão sobre afeto. E também quando demonstra que a criatura não quer vingança, mas presença. Quer um rosto que a enxergue.

Del Toro constrói a narrativa para mostrar que o terror verdadeiro está no abandono, mas não apenas no silêncio, mas também no medo de ser visto pelo que se é. É uma leitura que encontra eco em qualquer pessoa que já se sentiu invisível, deslocada ou não-amada.

Você também pode gostar

Frankenstein | Por que assistir?

Porque Frankenstein de Guillermo del Toro é, acima de tudo, um filme sobre querer ser amado. Ele reimagina o mito sem perder o peso original, mas amplia sua alma. Ainda assim, é sombrio, sensível e doloroso sem perder a esperança.

É uma obra que fala com quem já se sentiu quebrado.
E que lembra que até monstros precisam de mãos estendidas.

Nota 9/10 — poético, devastador, profundamente humano

Poster de Divulgação de Frankenstein (2025)

Ficha Técnica

Título: Frankenstein

Ano: 2025 | Duração: 149 min

Gênero: Drama | Ficção Científica | Terror

Direção: Guillermo Del Toro

Roteiro: Guillermo Del Toro

Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Waltz, Mia Goth e mais

Onde Assistir: Netflix

Deixe um comentário