Há filmes que prometem calma, mas entregam algo mais profundo. Éden, dirigido por Ron Howard, faz isso desde o início. Ele parte de uma temática datada, mas consegue nos colocar nos dias atuais. O que vemos é um retrato direto de como buscamos recomeços e, ao mesmo tempo, carregamos tudo o que tenta nos derrubar.
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Isolamento, tensão e um grupo à beira do colapso
A história começa simples: um grupo tenta reconstruir a vida em uma ilha remota. No entanto, conforme o isolamento aumenta, as máscaras caem. A confiança diminui e as regras sociais evaporam. Assim, o paraíso se transforma em ameaça.
A beleza natural da ilha contrasta com a deterioração interna dos personagens, e esse contraste sustenta toda a narrativa.
Sydney Sweeney e a força do silêncio
Sydney Sweeney entrega uma atuação que foge do glamour habitual. Ela surge vulnerável e ainda assim intensa. Quando cada gesto revela a luta silenciosa de alguém que enfrenta a natureza, os outros e seus próprios medos.
A fotografia reforça essa tensão. Tons quentes e sufocantes transformam o lugar em prisão. Ao mesmo tempo, o visual destaca que a calmaria pode esconder um caos crescente.

Um filme que provoca e divide opiniões
As opiniões sobre o filme se dividem, mas quando não acontece, fica monótono. Alguns veem Éden como hipnótico, enquanto outros o consideram frustrante. Mas todos concordam em um ponto: o filme convida o público a refletir. Ele desmonta certezas e expõe como reagimos quando tiram de nós regras, rotinas e confortos.
O ritmo é lento. Contudo, é essa lentidão que torna o filme incômodo — e verdadeiro. A ilha não é um simples cenário. Ela funciona como metáfora para o vazio, para o silêncio e para a tentativa arriscada de começar outra vez.
Por que assistir?
Porque Éden não fala apenas de um lugar. Ele fala do que carregamos dentro de nós.
É um thriller de sobrevivência e consciência que incomoda, provoca e permanece mesmo depois da sessão.
💛 4/5 — belo, inquietante, reflexivo

