Algumas amizades não chegam quando esperamos — mas chegam quando a vida resolve desmoronar. O Amigo (2024) entende essa calma estranha do destino e a transforma em cinema delicado: uma história sobre luto, companhia e o tipo de amor que aprende a mudar de forma sem desaparecer.
Conteúdo
- 1 O Amigo | Um cão como ponte entre ausência e conforto
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- 1.1.1 “Éden” (2024): Um thriller de sobrevivência, tão belo quanto inquietante
- 1.1.2 “Casa de Dinamite” (2025) : tensão que começa cedo e não solta mais
- 1.1.3 Frankenstein: quando a solidão revela o verdadeiro monstro de Guillermo del Toro
- 1.1.4 “O Amigo” (2024): quando o luto encontra companhia inesperada
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- 2 O Amigo | Suavidade e atuações humanas
- 3 O Amigo | Sobre presença e reorganização do amor
- 4 O Amigo | Por que Assistir?
- 5 Ficha Técnica
- 6 O Amigo | Onde Assistir?
O Amigo | Um cão como ponte entre ausência e conforto
O filme acompanha uma escritora que, após a morte de um amigo querido, recebe como herança inesperada o dogue alemão que ele deixou para trás. O animal, enorme e silencioso, torna-se uma ponte entre ausência e conforto. A presença dele não substitui a falta, mas ainda assim torna o luto palpável e respirável.
A força dessa premissa está justamente na simplicidade. Não se trata apenas de um animal ocupando espaço na casa; trata-se de memória, de vínculo, de tudo aquilo que permanece mesmo quando alguém se vai. O filme sabe que o luto não é feito só de lágrimas — mas de silêncio, rotina e pequenas adaptações que fazem a vida tentar encontrar seu ritmo de novo.
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O Amigo | Suavidade e atuações humanas
A direção, suave e atenta, leva tudo com paciência emocional. Além disso, não há grandes discursos, apenas gestos, rotinas e pequenas mudanças que revelam como seguimos vivendo mesmo quando estamos quebrados. As atuações seguem essa mesma linha: delicadas, contidas e profundamente humanas.
Esse minimalismo não é falta de ambição — é escolha estética. O longa opta por olhar de perto, por acompanhar a respiração das relações, e permite que a dor dos personagens surja de modo natural, sem dramatizações forçadas. Naomi Watts e Bill Murray entregam performances conscientes, que valorizam a sutileza do não dito, e sustentam a narrativa com autenticidade.
O Amigo | Sobre presença e reorganização do amor
Mais do que um filme sobre perda, O Amigo é sobre presença — especialmente aquela que permanece quando já não deveria. Assim, ele lembra que o amor não desaparece com a partida; ele se reorganiza, encontra formas inesperadas de permanecer, de cuidar, de acompanhar.
A história destaca como vínculos profundos continuam existindo mesmo depois do fim formal de uma relação. Apollo, o dogue alemão, funciona como metáfora viva da permanência — fiel, constante, silencioso. É impossível não perceber como a diretora trabalha a relação entre humanos e animais como um reflexo direto da forma como lidamos com lembranças, ausências e fragmentos emocionais.
O filme também dialoga com a ideia de que seguir em frente não é esquecer, mas redistribuir afetos. Ele fala sobre reconstrução gradual, sobre reaprender a ocupar espaços, sobre aceitar que certas presenças continuam nos moldando apesar de tudo. É impossível não se conectar com a história, principalmente se você tem animais em casa.
O Amigo | Por que Assistir?
Porque O Amigo é um filme que abraça devagar, que transforma o luto em cuidado, e que mostra que presença verdadeira não se mede por palavras ou discursos. Ele cresce dentro de quem assiste e permanece depois da sessão.
Nota 8/10 — terno, sensível, silenciosamente curativo
Ficha Técnica
Título: O Amigo | Título Original: The Friend | Ano: 2024 | 1h 59m | Comédia/Drama | Direção: Scott McGehee e David Siegel | Roteiro: Scott McGehee, David Siegel e Sigrid Nunez | Elenco: Bill Murray, Naomi Watts, Cloé Xhauflaire e mais. Distribuição: Bleecker Street / Prime Video





